CIDADES
Sábado, 02 de Junho de 2001, 16h:01
A
A
VIOLÊNCIA
Crianças que matam e morrem
O crime está cada vez mais próximo do convívio dos menores na periferia das grandes cidades
CARLA PIMENTEL
Da Reportagem
Cada vez mais menores roubam e matam. Se, de um lado, coloca-se em pauta a discussão da segurança e a necessidade de melhorias no sistema, capazes de estancar os problemas na terceira capital mais violenta do Brasil do outro lado da corrente, é possível perguntar: o que gera esta situação? Parte da resposta está sendo gestada na periferia, onde formas de violência cometidas contra e pelos menores se espalham. Exemplos não faltam. Durante a 6ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, realizada de 30 de maio a 1º de junho no auditório da Câmara Federal, em Brasília, o caso do menor Nilson Pedro da Silva assassinado em Rondonópolis calou uma platéia de cerca de 700 pessoas. Todos ficaram em silêncio, descreve o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Mato Grosso, Gilney Viana. Ele acrescenta que um dossiê sobre o caso foi entregue à Comissão de Direitos Humanos da Câmara e ao Movimento Nacional de Direitos Humanos, promotores do evento. Em Mato Grosso, uma das metas da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa é concluir, ainda este mês, um relatório sobre as condições de atendimento à criança e adolescente infratores ou não existentes no Estado. Segundo Gilney Viana, a intenção do grupo é visitar todos os órgãos e instituições vinculados ao tema. As visitas já começaram na última semana e as primeiras impressões não foram das melhores. Em Rondonópolis, Viana esteve na Delegacia da Infância e Juventude e não gostou do que viu: Os menores, mais velhos e mais novos, ficam em celas úmidas e sem luz. É um ambiente deprimente, descreve. A falta de recursos, segundo o deputado, impede que se construa uma área destinada à educação dos menores. As próprias autoridades locais, segundo ele, penam com a falta de perspectivas. Viana informa que o Juizado da Infância e Juventude de Rondonópolis optou por soltar dez menores alguns responsáveis por infrações graves porque atravessaram anos a fio retidos na delegacia, sem alternativas capazes de realmente reeducá-los. Como a prisão não funcionava e penas alternativas, como o trabalho, tornaram-se inviáveis por falta de receptividade do mercado local a saída foi devolvê-los ao convívio familiar. Análises como essas deverão ser reunidas em um relatório, que também pretende contemplar a efetividade das ações hoje colocadas em prática pelos governos federal, estadual e municipal e entidades não-governamentais. Quantos menores realmente conseguem recuperar-se dos problemas, depois de participarem de programas esta é uma das questões a serem respondidas. PERFIL - O perfil do menor mudou muito. Crianças que furtavam e cheiravam cola ou fumavam maconha são agora usuárias de cocaína e crack, que estupram, seqüestram e matam. Ou que têm a função de assumir os crimes cometidos por maiores de idade, servindo de escudo para as atividades dos adultos. O alerta é da diretora de Atendimento Especializado da Prosol, Gilda Balbino. SERVIÇO - Para ser voluntário de entidades ligadas ao atendimento ao menor, cadastre-se no Fórum Estadual de Entidades Não-Governamentais de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente, pelo telefone 322-2339. Em caso de denúncia, ligue para o SOS Criança, pelo 1407. LEIA TAMBÉM #LINK#54513#Crianças que matam e morrem #LINK#54515#Sistema Nacional articula entidades #LINK#54516#Delegada Mara Rúbia diz que função da Deca foi alterada #LINK#54517#Promotoria pediu arquivamento de 700 processos #LINK#54518#Lar da Criança mostra problema #LINK#54519#Jovens infratores voltam a cometer crimes #LINK#54520#Mãe lembra dia em que filho se drogou #LINK#54521#Antes de completar 9 anos, Marcelo usou droga #LINK#54523#Brasil firma acordo mas não consegue cumpri-lo #LINK#54524#Volume de denúncias recebidas pelo SOS Criança aumento 24%