CIDADES
Sábado, 06 de Junho de 2009, 16h:08
A
A
ENTRETENIMENTO
Cine Bandeirantes também é saudoso
Após entrega recente do Cine Teatro ao público cuiabano, população relembra importância de outro espaço de espetáculo há 15 anos abandonado
ALECY ALVES
Da Reportagem
A restauração do Cine Teatro Cuiabá, devolvido à população recentemente, remeteu a outro importante centro cultural cuiabano, o Cine Bandeirantes, que há pelo menos 15 anos vive em completo abandono. Do complexo de cultura e comércio que por quase 30 anos funcionou na rua Pedro Celestino, no Centro Histórico, restou somente a placa de identificação, um luminoso desativado que, no tempos áureos, mantinha o prédio em destaque entre as demais construções. Do final da década de 60 e até o início dos anos 90, o Cine Bandeirantes exibiu produções cinematográficas nacionais e internacionais, hoje, revividas pela memória de quem freqüentava o local. Também recebeu shows de grandes cantores e peças teatrais que faziam sucesso em centros como São Paulo e Rio de Janeiro. Além da grande sala de cinema, onde também fica o palco, o prédio abrigava uma galeria de pequenas lojas, incluindo sorveteria, floricultura e quiosque de doces, bombons e outras guloseimas na ante-sala de exibições. A empresária Arilce Teixeira Monteiro mora há 47 anos numa casa que fica em frente ao antigo cinema. Foi no Bandeirantes, recorda ela, que assistiu aos clássicos da sétima arte E o Vente Levou e Girassóis da Rússia. Dona Fia, como é conhecida, conta que, nos finais de semana, a rua Pedro Celestino se transformava num dos principais espaços de lazer dos cuiabanos. Nas tardes e noites de domingo, diz, a fila de pessoas para comprar ingresso se estendia até o cruzamento com a rua Campo Grande. Era uma rua alegre, movimentada, observa a empresária, que começou no ramo de confecções e bijuterias atendendo em casa as amigas que queriam fazer compras depois de sair do cinema. Dona Fia defende a reabertura do prédio com algo que possa movimentar aquela área comercial no período noturno. Ela diz que anos atrás surgiu um forte boato na redondeza sobre a venda ou locação do prédio, não sabe ao certo, para uma igreja evangélica. Um grupo de pessoas chegou fazer a limpeza do local, mas a aguardada reabertura não aconteceu. O engenheiro civil Jorge Rachid Jaudy, 52 anos, que nasceu e viveu a adolescência e juventude numa casa quase enfrente ao antigo cinema, acha que manter um prédio daquele fechado é prejuízo para a cidade. Se não voltar a ser um cinema, poderia transformá-lo em galeria de lojas, sugere. Jaudy, que transformou a casa herdada dos pais no escritório dele e dos filhos, da poltrona de seu gabinete descreve o prédio do cinema com tanta fidelidade que parecia ter retroagido seus pensamentos ao período em que assistia filmes lá. Antes de chegar na sala do cinema tinha uma recepção onde os funcionários, homens e mulheres, trabalhavam de roupas finas, as mulheres de saia e blusa social e os homens de terno e gravata. Nesse ponto, eram vendidos bombons finos e outros doces e as pessoas podiam ficar conversando sentadas em poltronas confortáveis enquanto aguardavam o término de uma sessão e reinício da outra.