CIDADES
Quarta-feira, 18 de Junho de 2008, 21h:58
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PASSE-LIVRE
Beneficiários ainda abordados no sistema
Alegando ilegalidade nas carteiras, motoristas e fiscais intimidam pessoas nos coletivos, apesar do MPE reforçar que a função de coibir é da polícia
ANA PAULA BORTOLONI
Especial para o Diário
Usuários do transporte público que têm o benefício da gratuidade continuam tendo problemas em Cuiabá, como abordagens de motoristas e fiscais alegando ilegalidade na utilização da carteira. O Ministério Público Estadual, que já conquistou liminar garantindo o direito, critica a falta de atitude da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes Urbanos (SMTU), que deveria fiscalizar as ações da Associação Mato-grossense dos Transportadores Urbanos (MTU). Minervino Mariano da Conceição, 57, é portador de glaucoma, doença que afeta a visão. É aposentado por invalidez desde 2001, quando conquistou o benefício da gratuidade do transporte. Alega, no entanto, que desde 2005 não consegue renovar a carteira porque não é aprovado nas perícias. Enquanto isso, utiliza o cartão de papel. Todos os dias, os motoristas e os fiscais falam que não tem mais validade. Já cheguei a ser impedido de entrar no ônibus. A gente passa uma humilhação danada, reclama ele, que é morador do bairro Três Poderes. O promotor da Cidadania e Defesa do Consumidor, Alexandre Guedes, informou que já pediu para a Justiça responsabilizar criminalmente tanto a MTU quanto a SMTU para que cumpram a decisão datada de setembro de 2007, reforçada na semana passada, após a associação recorrer. A SMTU simplesmente nada faz e a MTU faz o que quer. A liminar diz que a associação não pode decidir sobre gratuidade, gerir sistema de cadastro dos usuários e nem cancelar ou apreender cartões, tendo a única função de emiti-los. Tais funções deveriam ficar a cargo da Secretaria. A multa por descumprimento da decisão é de R$ 2 mil/dia, mas conforme o MPE, a situação continua a mesma. A orientação do promotor é para que os usuários que forem abordados para que entreguem as carteiras devem procurar a polícia. E que as pessoas procurem a SMTU e não mais a MTU, recomenda. Tanto a SMTU quanto a MTU evitam comentar sobre a decisão judicial. O secretário Elismar Bezerra diz que não há restrição de benefícios por parte da associação. O que houve é que alguns querem entrar com carteira falsificada, mas não há ameaças de apreensão, garantiu. Na semana passada, a MTU divulgou nota em que anunciava o aumento da fiscalização do uso da carteira devido ao aumento do número de viagens no último ano. Alega, porém, que houve interpretação equivocada quanto à apreensão dos benefícios e que eles não serão suspensos caso não haja irregularidade na utilização. No caso do aposentado, Bezerra garante que vai tomar providências. E qualquer pessoa que encontre problemas deve nos procurar que em uma hora resolveremos. O advogado da MTU, Pedro Verão, não foi encontrado para comentar a aplicação da liminar.