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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 29 de Agosto de 2009, 08h:35

PROTESTO

Bancários agitam centro da Capital

ALECY ALVES
Da Reportagem
Um protesto que teve mega-fone, banda de música, trabalhador travestido de banqueiro carregando sacos de dinheiro e malas-pretas e até um bolo confeitado sendo distribuído para a população, movimentou as agencias bancárias centrais de Cuiabá no final da manhã de ontem. A manifestação, organizada pelo Sindicato dos Bancários de Mato Grosso (SEEB), celebrou o dia da categoria e chamou a atenção para os baixos salários, carga excessiva de trabalho, redução dos postos de emprego e a necessidade de menos filas e queda das altas taxas de juros cobradas no país. Agosto, data base de negociação salarial dos bancários, está fechando sem um acordo com a classe patronal. Na reunião que aconteceu quinta-feira, em São Paulo, a categoria ouviu um “não” como resposta ao pedindo de garantia de postos de emprego nos casos de fusões de empresas, como as que aconteceram recentemente entre os bancos Real e Santander e Itaú e Unibanco. O presidente do Sindicato dos Bancários, Arilson Silva, representou os mato-grossenses nessa rodada de negociações. Conforme Silva, outros itens da pauta de reivindicações estão sendo negociados, entre os quais a elevação do piso salarial de R$ 1.013 para R$ 2.047, reajuste de 10% (equivalente a inflação e ganho real de 50%) e a abertura de vagas para contratação de novos trabalhadores nas agências bancárias de todo o país. Pelo mega-fone, Silva explicava à população o que vem ocorrendo nos bancos. Com base em dados de uma pesquisa que está sendo feita regularmente pela Confederação dos Trabalhadores do Setor Financeiro (Confrad) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), este ano os bancários perderam mais de 2,5 mil vagas nos agências e empresas do ramo financeiro. Ao contrário de 2008, que fechou com 8.754 novas contratações, por causa das fusões, os bancos demitiram 15.459 no primeiro semestre de 2009. Conforme Arilson Silva, até 10 anos atrás o Brasil tinha um milhão de bancários, profissionais que hoje não passam de 450 mil, enquanto o número de clientes e os lucros dos bancos triplicaram. Em Mato Grosso, onde esse setor emprega cerca de 4 mil pessoas, Silva estima que seriam necessários 20% ou 800 novas contratações para diminuir a pressão e a sobrecarga de trabalho. Com mais empregados e menor taxa de juros, avaliou o sindicalista, os bancos também seriam beneficiados, especialmente pela atração de mais clientes e o alcance das metas de crédito estabelecidas para seus funcionários. Outros protestos similares e até greve, se não forem atendidos na pauta salarial, não estão descartados para Cuiabá nas próximas de semanas.

Edição EDIÇÃO 16958




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