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CIDADES
Terça-feira, 02 de Outubro de 2007, 11h:22

VÔO 1907

Aeronáutica descarta causa técnica

Relatório do Cenipa diz que falhas no sistema de controle de tráfego aéreo ou nos equipamentos das aeronaves não contribuíram para o acidente

RODRIGO VARGAS
Da Reportagem
A comissão da Aeronáutica que investiga as causas do acidente envolvendo o jato executivo Legacy 600 e o Boeing 737-800 da Gol já excluiu a possibilidade de que as falhas na cobertura do sistema de controle de tráfego aéreo ou nos equipamentos das aeronaves tenham contribuído para a colisão ocorrida há um ano. “Os equipamentos de comunicação, transponder e TCAS da aeronave N600XL estavam em condições de funcionar até o acidente (...) não se encontrou no acidente indicação de influência de cobertura radar, por ineficiência ou deficiência de equipamentos de Comunicação e Vigilância”, diz trecho de nota encaminhada pela Aeronáutica. Além de conter um resumo das várias etapas da investigação, o texto praticamente antecipa o que deverá ser a conclusão do relatório sobre o caso: a tragédia que matou as 154 pessoas a bordo do Boeing ocorreu por uma sucessão de falhas humanas. “Algumas normas e procedimentos não foram corretamente executados na ocorrência”, diz a nota, com base no trabalho da Comissão de Investigação de Acidente Aeronáutico (CIAA) – implantada pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa). Nesta semana, a reportagem do Diário ouviu representantes de familiares das vítimas, controladores de tráfego aéreo e também o advogado brasileiro que atua na defesa dos pilotos americanos. Todos apresentaram visões distintas sobre o caso (ver matérias). Marco inicial do chamado “apagão aéreo”, o acidente com o vôo 1907 revelou os bastidores do sistema responsável pela segurança da aviação no país. Expôs as condições inadequadas de trabalho dos controladores – stress, baixos salários, baixa qualificação - e os “buracos negros” nas estruturas de comunicação e vigilância. Ao não considerar tais fatores como relevantes, a provável conclusão do Cenipa seguirá no rumo da investigação conduzida pelo Ministério Público Federal. Na denúncia encaminhada à Justiça, o procurador da República, Thiago Lemos de Andrade, apontou que as falhas determinantes teriam sido cometidas por quatro controladores de vôo de Brasília e pelos pilotos do Legacy, os americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino. Todos teriam cometido crimes contra a segurança de vôo. Os americanos, em função do desligamento involuntário do sistema anti-colisão da aeronave. Os controladores, por não terem adotado os procedimentos recomendados em caso de dificuldades de comunicação e ausência de sinal no radar (ver quadro). A única diferenciação foi estabelecida no caso do controlador Jomarcelo Fernandes dos Santos, o sargento da aeronáutica que, segundo o MPF, foi o único a ter acesso às informações exatas sobre a rota de colisão em que seguiam o Legacy e o Boeing. Santos foi acusado de conduta dolosa – intencional. “O conhecimento da discrepância de altitude e, portanto, do perigo de colisão, é o ponto que diferencia a sua conduta da dos demais controladores”.

Edição edição 16957




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