NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 03 de Maio de 2008, 15h:20

CHAPADA DOS GUIMARÃES

A despeito do perigo, ufólogo vive no Portão do Inferno

ALEXANDRE APRÁ
Especial para o Diário
Em meio às discussões sobre os riscos de desmoronamento nas formações rochosas de Chapada dos Guimarães, reacendidas após o desabamento de um bloco de arenito no paredão do Véu de Noiva, mês passado, há quem faça do Portão do Inferno sua moradia. É o caso do ufólogo Auri Miguel Limberg, de 52 anos, que se abrigou bem embaixo da curva conhecida como uma das mais perigosas das estradas de Mato Grosso, na MT-251, mais conhecida como rodovia Emanuel Pinheiro. Auri conta que trabalhava como pedreiro em uma empresa de construção civil em Cuiabá e, após sofrer um acidente de trabalho, resolveu se aventurar em Chapada. Sem dinheiro, ele acabou se abrigando embaixo da pista, a poucos metros do precipício. Lá, ele acomodou um colchão e improvisou uma pequena cozinha e um varal de roupas. Hoje, trabalha em uma lanchonete que fica nas proximidades e faz pequenos “bicos”. Ele conta que desde o dia da sua chegada, 15 de janeiro, já presenciou 33 acidentes envolvendo carros, motos e principalmente caminhões no local. No último, ocorrido há duas semanas, ele ajudou na retirada das peças que se espalharam pela pista. “Depois de recolher as peças, juntei os pedaços de alumínio e cobre e vendi. Consegui R$ 20 só com as peças de um carro”, revela. O trânsito de caminhões, segundo Auri, é constante. A alta velocidade desses veículos é a principal causa de acidentes na curva. As placas de proteção e parede rochosa mostram as marcas dos impactos acontecidos. Comerciantes da região confirmam que o trânsito de caminhões é intenso e aumenta cada vez mais. Para Auri, a falta de fiscalização é o principal motivo da presença de carretas na rodovia. “Além de não ter pesagem, é uma fuga para os caminhoneiros que querem desviar do trânsito da serra de São Vicente”. O ufólogo, que desconhece qualquer fenômeno natural na região, afirma que não tem medo de viver naquele lugar. Segundo ele, já está acostumado com o local. No entanto, diz que quando um caminhão pesado passa na pista, sente o chão e as “paredes” tremerem. “Mesmo assim eu não tenho medo. Aqui em cima de mim é concreto puro. Estou seguro. Tenho mais medo desses bairros de cidade que estão cheios de bandidos”, ironiza. Ele diz que já desceu seis vezes até no pé do penhasco e relata que lá existem um caminhão e um corcel que despencaram do precipício há muitos anos atrás, mas isso não o assusta. Há oito meses, um enorme bloco de arenito veio abaixo no Portão do Inferno. Os resquícios da queda ainda podem ser visto por qualquer pessoa do mirante que existe no local. Na avaliação dele, as formações rochosas de arenito sofrem abalos e precisam de cuidados especiais. “É só você olhar que as encostas não estão suportando. Na beira, as árvores que existem estão fazendo peso e as raízes entram nas rochas e podem comprometê-las”, analisa. Com um simples toque de mão, ele demonstra como a rocha é vulnerável. Em poucos segundos, uma pedra de arenito, localizada dentro de sua “casa” e bem embaixo da pista, vira areia. A tese de Limberg é confirmada pelo geólogo e professor do Departamento de Geologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Prudêncio Rodrigues. Em um estudo publicado em outubro do ano passado, ele alerta sobre os riscos que a trafegabilidade de caminhões pesados pode oferecer para acelerar o processo de transformação da rocha. Prudêncio também acrescenta que as trilhas espalhadas em alguns pontos de Chapada também propiciam esse processo. “Não há planejamento nem estudo para implantação dessas trilhas. Elas são feitas de maneira desordenada”, condena.

Edição EDIÇÃO 16958




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL