Para todas as perguntas, o ex-assessor, que fez sua primeira aparição pública desde que o caso veio à tona, disse que só falaria em juízo
CAMILO TOSCANO
Agência Folha - Brasília
O ex-assessor da Casa Civil Waldomiro Diniz se negou ontem a responder às 50 perguntas feitas pela Polícia Federal referentes ao inquérito que investiga seu suposto envolvimento em recebimento de propinas e contribuições ilegais para campanhas eleitorais. O depoimento acontece na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Para todas as perguntas, o ex-assessor do ministro José Dirceu, que fez sua primeira aparição pública desde que o caso veio à tona, em 13 de fevereiro, disse que só falaria do caso em juízo. Exonerado após a revista "Época" divulgar fita de 2002 em que aparece negociando propina com o empresário do jogo Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, Waldomiro também pede contribuição para as campanhas de Benedita da Silva (PT-RJ) e de Rosinha Matheus (então no PSB) ao governo do Rio. À época, Waldomiro presidia a Loterj (Loteria do Estado do Rio), cargo que ocupou nos governos Garotinho e Benedita da Silva. Acompanhado por dois advogados, ele chegou por volta das 16h em um taxi e evitou falar com a imprensa. O depoimento, que inicialmente estava previsto para as 9h de ontem, foi adiado para a tarde. Pela manhã, o advogado de Waldomiro, Luiz Guilherme Vieira, disse que não considera como prova a fita em que seu cliente aparece cobrando propina e negociando financiamento de campanhas eleitorais com Cachoeira. CACHOEIRA Anteontem, Cachoeira reiterou, em depoimento à Polícia Federal, o mesmo que já dissera ao Ministério Público Federal. Ou seja, ele diz ter sido "extorquido" por Waldomiro Diniz. Confirmou também a relação dos dois na renegociação de contrato entre a Caixa Econômica Federal e a empresa GTech do Brasil, já no governo Lula. Ao ser questionado sobre a gravação de um vídeo no qual Waldomiro lhe pede propina de 1% sobre doações eleitorais, Cachoeira disse que só se manifestaria a respeito do assunto à Justiça.