Índios isolados (que não mantém contato com não-índios), atacaram a flechadas, anteontem pela manhã, o sertanista José Carlos Meireles, 56, que há 18 anos trabalha em uma frente de contato da Funai (Fundação Nacional do Índio) na região do Alto Rio Envira, no Acre, na fronteira com o Peru. Meireles, que passa bem, estava pescando quando foi cercado por um grupo de dez índios. Ele recebeu uma flechada no rosto que entrou pelo lado esquerdo do maxilar e saiu pela nuca. Outras cinco tentativas de atingi-lo não tiveram resultado. Ele mesmo retirou o objeto do rosto, que provocou muito sangramento, segundo seu relato à imprensa local. Um helicóptero da FAB (Força Aérea Brasileira) resgatou Meireles, hoje pela manhã, da base Etno Ambiental do Rio Envira, onde ele mora com a família. Ele foi levado para um pronto-socorro da capital Rio Branco, onde recebeu os primeiros cuidados. À noite, o sertanista seria internado em um hospital para ficar em observação. Meireles não corre risco de morte, segundo os médicos. A região de atuação do sertanista compreende 142 mil hectares. A Funai não tem estimativa oficial do número de índios que vivem na área. Antropólogos acreditam que apenas na parte brasileira da reserva vivam cerca de 1.500 índios isolados de pelo menos três etnias, uma delas desconhecida. Meireles não soube precisar a razão do ataque, mas avaliou que os índios podem ter visto como uma ameaça a sua presença no rio.