BRASIL
Terça-feira, 02 de Março de 2010, 21h:31
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ROMPENDO O SILÊNCIO
Serra rompe o silêncio e adota discurso nacional
Três dias depois da divulgação da mais recente pesquisa Datafolha (no sábado, dia 27), o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), rompeu o silêncio, mudou o tom e adotou um discurso político e nacional. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da pré-candidata do PT à Presidência, ministra Dilma Rousseff, durante inauguração do novo complexo industrial da Case New Holland, em Sorocaba, o governador fez, em seu discurso, uma defesa enfática do papel da indústria para o desenvolvimento econômico do País, citou o papel do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para a retomada e modernização da indústria automobilística e discorreu sobre a importância dos programas de sua administração, no governo paulista, para o combate à crise econômica global. Serra vem sendo pressionado por membros do PSDB e do DEM a assumir sua candidatura ao Palácio do Planalto à Presidência da República, principalmente depois que a diferença entre ele e pré-candidata do PT caiu de 14 pontos para apenas quatro pontos na última pesquisa Datafolha. Essa mostra indica Serra com 32% das intenções de voto, contra 28% de Dilma. "Eu pessoalmente participei dessa modernização em 1995 quando muitas fábricas, inclusive a Ford, estavam para deixar o Brasil em função da valorização cambial, juros e retirada de tarifas (de importação). Nós fizemos um programa de modernização que impulsionou bastante o setor e ele veio se expandindo em condições de muito boa qualidade e produtividade", afirmou Serra, em Sorocaba. "Nos preocupa hoje em dia, uma preocupação que é compartilhada pelo ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que também participou do evento), a questão das exportações do setor (automobilístico). No ano passado, tivemos um déficit de US$ 3,7 bilhões nessa área, incluindo autopeças, e é importante que a indústria se desenvolva também exportando, não apenas atendendo, embora seja seu motor principal, o mercado interno", disse. "É uma preocupação que nós compartilhamos com o governo federal e estamos dispostos a apoiar medidas que produzam uma inversão, uma inflexão nessa tendência", declarou. O governador demonstrou ceticismo sobre a capacidade de geração de empregos pelos setores agropecuário e de serviços. "Muitas vezes se desenvolvem teorias de que o Brasil pode vir a ser um país primário exportador, como era no passado, exportando commodities, matérias primas e alimentos e com isso crescer. Ou então que o moderno agora, o chique, é a economia de serviços", reiterou. E continuou: "Ambas essas teses estão erradas e são falaciosas. Nós não vamos conseguir gerar os empregos num País de 180 milhões de habitantes e que ainda tem uma grande parte da sua força de trabalho subempregada, quando não desempregada, sem a indústria." Serra avaliou que o governo federal adotou medidas corretas para conter os impactos da crise internacional no País ao reduzir impostos e aumentar o volume de financiamentos por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).