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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

BRASIL
Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006, 21h:20

CONGRESSO

Reajuste provoca onda de manifestações

Para cientistas políticos, os parlamentares devem ter uma boa remuneração, mas o aumento foi abusivo

A decisão tomada pelos líderes do Congresso de conceder reajuste salarial de 91% aos parlamentares na próxima legislatura provocou reações de entidades, movimentos sociais e no meio acadêmico. Em nota, a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) disse que a medida faz crescer o "fosso entre os legisladores e o povo". "Um salário de R$ 24,5 mil, diante do salário mínimo de R$ 350, sinaliza mais interesses particulares do que a defesa da justiça ou gesto de partilha", avaliou. Também em nota, a UNE (União Nacional dos Estudantes) chamou o reajuste de "inaceitável", e desafiou os parlamentares a conceder tal aumento ao salário mínimo. A CUT (Central Única dos Trabalhadores) criticou o que classificou de "desproporção" entre os interesses dos trabalhadores e os do Parlamento. A diretoria da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) se disse "perplexa" com o reajuste, "não pelos parâmetros salariais, mas pela forma como foi conduzido o processo, em final de legislatura e sem consulta à sociedade". A Fiesp, federação paulista das indústrias, disse que não iria se pronunciar porque "não tem relação com o assunto". O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) classificou o aumento como "mais um episódio escandaloso da crise do sistema de representação política no país". Em notícia veiculada em seu site, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) chamou a medida de "imoral". "O Congresso, que deveria ser a caixa de ressonância da sociedade mas, nessa legislatura, se transformou na caixa de ressonância da imoralidade", dizia o texto. A ONG Contas Abertas, que comparou o impacto do reajuste ao custo de três ministérios, disse considerar a decisão "um acinte aos contribuintes". A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) afirmou que a confiança nos membros do Legislativo e do Judiciário está comprometida. "A nação está de luto", disse. Procurada, a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) não quis se pronunciar. "VEXAME" Para cientistas políticos consultados pela reportagem, os parlamentares devem ter uma boa remuneração, mas o aumento foi abusivo. "Era razoável que houvesse um aumento de 10% ou 20%. Mas 91% é um vexame", afirmou Marcus Figueiredo, professor e pesquisador do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro). "A atividade parlamentar não é teto do servidor público." Na avaliação de Celso Roma, do Cebrap, "há incongruência entre a alta remuneração dos congressistas e o baixo nível de bem-estar social no país". Eles criticaram a justificativa de que a alta remuneração inibiria a corrupção. "A conduta ética não deve depender do teto salarial", afirmou Roma.

Edição edição 16957




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