A Polícia Federal (PF) prendeu ontem 31 acusados de pertencerem a uma quadrilha que há 14 anos vende nacionalidade brasileira para estrangeiros, em especial libanesa. Pelo menos dois agentes da PF seriam coniventes: José Francisco Ferreira e Marco Antônio Gonçalves, que trabalham em Niterói. Aposentado há cinco meses, Gonçalves passou a trabalhar com a deputada federal Solange Almeida (PMDB-RJ). Ele foi afastado do cargo ontem. A PF suspeita que três aeronaves apreendidas durante a operação Biblos pertençam a Gonçalves. A quadrilha era comandada pelo libanês Souheil Chahdam Mounzer, ex-funcionário do consulado do Líbano. Há 25 anos no Brasil, ele mora em São Gonçalo, cidade vizinha a Niterói, na região metropolitana. Com Mounzer trabalhavam três irmãos. Nabil e Elie, que moram no País, também foram presos ontem. O terceiro vive no Líbano, onde procura clientes e cuida da remessa do dinheiro recebido, cerca de R$ 15 mil por cada documento falsificado. A PF, que mobilizou cerca de 300 agentes, não sabe ainda quantas pessoas se beneficiaram do esquema, mas alertou a Interpol sobre 70 passaportes brasileiros com dados falsos que estão em poder de estrangeiros. Alguns beneficiários que moram no Brasil, cujos nomes não foram divulgados, foram presos ontem. Outros já haviam sido presos antes, como o egípcio Pierre Geris Elageb e o colombiano Jairo Adolfo Nunes. Ambos são acusados do tráfico de drogas e ao serem detidos, respectivamente no Ceará e no Rio, estavam com passaportes brasileiros falsificados.