O PT sinalizou ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que está disposto a perder espaço no governo para que sejam acomodados partidos da coalizão política na reforma ministerial. No encontro de mais de uma hora do conselho político do PT com o presidente Lula ontem à tarde, no Palácio do Planalto, os líderes petistas afirmaram que vão se enquadrar nas decisões tomadas pelo presidente para a conclusão da reforma - mesmo que isso implique em perda de espaço do partido no primeiro escalão do governo. "O PT apóia e continuará apoiando o presidente nas decisões que o presidente tomar. Se o presidente achar conveniente que nós tenhamos que perder espaço, nós vamos compreender e apoiar incondicionalmente o presidente da República na condução desse processo", disse o líder do partido na Câmara, deputado Luiz Sérgio (RJ). O discurso de Sérgio é contrário ao adotado, nos bastidores, por grande parte das lideranças petistas. O partido negocia a ampliação de seu espaço no primeiro escalão do governo e não abre mão de indicar a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy para o novo ministério de Lula. Ao contrário de Sérgio, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) disse ao chegar ao encontro que o PT pretendia reivindicar espaço no segundo mandato de Lula mesmo sem interferir na decisão do presidente - numa clara sinalização de que o partido não está disposto a perder espaço no primeiro escalão. "Queremos um tamanho que seja adequado ao partido que deseja fazer ações programáticas no governo", disse a deputada.