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BRASIL
Quarta-feira, 11 de Julho de 2007, 21h:07

CONGRESSO

Pressionado, Renan não preside sessão

Cem cartões vermelhos seriam erguidos por parlamentares da oposição caso Renan insistisse em comandar a sessão do Congresso

LUCIANA NUNES LEAL
Da Agência Estado – Brasília
Após sofrer pressão do governo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), desistiu de presidir a sessão do Congresso para votação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), ontem. Renan foi alertado pelo Planalto que a insistência em presidir a sessão seria prejudicial para todos, atrapalharia o governo na aprovação da leia orçamentária e traria mais desgaste para a imagem do senador, que poderia sofrer ataques da oposição. Renan acabou aceitando os argumentos e desistiu do comando da sessão. O convencimento da oposição foi o último ponto de uma série de movimentos estratégicos coordenados pelo Palácio do Planalto para conseguir realizar a sessão da LDO. Numa delas, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, se reuniu no Palácio do Planalto com o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE), com o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP) e com a líder do governo no Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA). CARTÕES VERMELHOS Cem cartões vermelhos seriam erguidos por parlamentares da oposição diante de Renan Calheiros (PMDB-AL), no plenário da Câmara, se o presidente do Senado insistisse em comandar a sessão do Congresso (que reúne deputados e senadores) marcada para votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), na noite de ontem. Os oposicionistas poderiam escolher entre quatro modelos: o cartão simples e outros com as inscrições "não", "nego" ou "desonra". Para evitar desgastes como esse, foi reforçada a mobilização dos governistas para fazer Renan desistir de presidir a sessão. "Quando o senador Renan Calheiros entrasse, levantaríamos os cartões, todos nós que questionamos esta situação. Depois, cada líder pediria a palavra", contou o líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ), um dos idealizadores do protesto, ao lado de Fernando Gabeira (PV-RJ). Antes da sessão, Gabeira, Chico e a deputada Luciana Genro (PSOL-RS) mostraram o material do protesto que acabou não utilizado. Os deputados também planejavam exibir dezenas de folhas onde estão 15 mil assinaturas de um manifesto contra a corrupção. "Fora Renan, fora Roriz e todos os que traem o voto popular, desprezando o interesse público, a transparência e ética na política", diz o abaixo-assinado. "Esta campanha vai continuar. Queremos chegar a 100 mil assinaturas e fazer um varal gigantesco diante do Congresso, no dia 14 de agosto", afirmou Alencar. Os oposicionistas planejavam também um recurso regimental para dificultar a votação, se Renan estivesse à frente dos trabalhos. Exigiriam a presença em plenário do número mínimo de 86 deputados e 14 senadores para começar a sessão. Muitas vezes as sessões do Congresso são abertas sem a presença dos cem parlamentares, desde que não seja pedida a verificação nominal dos presentes. "Com a decisão do senador Renan Calheiros achamos que poderíamos conduzir a sessão de forma mais cordial" afirmou Gabeira.

Edição EDIÇÃO 16958




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