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BRASIL
Sexta-feira, 08 de Outubro de 2004, 21h:02

ÔNIBUS/TARIFAS

Prefeituras evitam aumento

PEDRO SOARES
Folhapress – Rio
Em ano de eleições municipais, prefeituras de várias capitais do país evitam elevar o valor das passagens de ônibus. É o que revelam dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), apurado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). De janeiro até setembro deste ano, seis das principais capitais do país não aumentaram as tarifas, que, na média pelo país, subiram apenas 2,48% no período. Nos nove primeiros meses de 2003, a alta havia sido muito maior, atingindo 18,37%. As tarifas permaneceram congeladas em quatro prefeituras administradas pelo PT - São Paulo, Goiânia, Belo Horizonte e Recife -, uma do PFL –Salvador - e em Brasília, cujo governo é do PMDB, mas não houve eleições. Em Recife, a tarifa média chegou a cair 6,92% em razão de uma promoção que cortou o preço pela metade aos domingos. O PT conquistou as prefeituras de Belo Horizonte e Recife no primeiro turno e disputa o segundo turno em São Paulo e em Goiânia. Os números do IBGE - pesquisados em nove regiões metropolitanas, além de Goiânia e Brasília - mostram que nas duas mais recentes eleições a situação foi a mesma. Em 2000, quando aconteceram votações municipais, também seis capitais não haviam reajustado a tarifa até setembro. Em 2002, ano de eleições presidenciais, cinco deixaram de aumentar a passagem até setembro daquele ano. Em São Paulo, a passagem chegou a cair (0,72%). Em 2000 (janeiro-setembro), o reajuste médio foi de 4,72%, de acordo com dados do IPCA. Ficou em 13,58% em 2001, ano que não teve eleições. Foi novamente mais baixo em 2002 -5,98%. Neste ano, a variação das tarifas de ônibus é bem menor do que a inflação acumulada até setembro (5,49%). Para Eulina Nunes dos Santos, gerente da Coordenação de Índices de Preços do IBGE, o fato de não terem ocorrido aumentos é “inusitado” e revela uma situação diferente da que ocorreu em 2003. “Essa é uma situação um pouco inusitada e talvez esteja relacionada com o momento que o país está vivendo [de eleições]. Os ônibus são da esfera das prefeituras e os reajustes ficaram em zero ou aumentaram pouco. A situação é muito diferente da do ano passado, quando as tarifas de ônibus já haviam tido um forte impacto no IPCA nesse período”, disse ela. Procuradas pela reportagem, as prefeituras negam que haja relação entre a ausência de aumentos e as eleições municipais ou a possibilidade de favorecer o prefeito que tente a reeleição ou o candidato do governo. Dizem que as decisões se basearam em critérios técnicos, apesar de um dos principais componentes de custo das empresas, o óleo diesel, já ter subido neste ano. Definida em junho, a alta do combustível foi de 10,6% nas refinarias. Com a alta no preço do barril do petróleo no mercado externo, é esperada uma nova rodada de reajustes até o fim do ano. Neste ano, as cidades que corrigiram o valor das passagens foram o Rio (6,67%), Porto Alegre (6,90%), Belém (2,68%), Fortaleza (1,35%) e Curitiba (15,15%).

Edição edição 16957




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