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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

BRASIL
Domingo, 23 de Julho de 2000, 19h:20

TERRAS/PROTESTO

MST diz que alvo é o Interior

Gilmar Mauro, dirigente nacional do MST, afirmou ontem, durante uma romaria em Promissão (SP), que desta vez o interior do país é o alvo preferencial das ações de protesto do "Levante do Campo'', que acontece na terça-feira, Dia do Agrucultor, em todo o Brasil. No protesto de maio, os sem-terra ocuparam prédios do governo em 18 capitais. Segundo Mauro, os atos de protesto contra a política agrícola do presidente Fernando Henrique Cardoso vão ocorrer nos municípios em frente a bancos, órgãos do governo e em praças públicas. Rodovias e fronteiras também estão entre os locais escolhidos para o protesto. Não estão descartadas invasões de fazendas em algumas regiões. Além dos sem-terra devem participar pequenos agricultores, remanescentes de quilombos e posseiros. Em algumas capitais, diz o dirigente, haverá atos específicos, como é o caso de Recife, onde os manifestantes vão protestar no porto contra a carga de milho transgênico (modificado geneticamente). Em São Paulo, o MST se junta à Central de Movimentos Populares num ato em frente ao prédio do Tribunal Regional do Trabalho, na Barra Funda, contra o desvio de R$ 169 milhões dos cofres públicos para a construção do Fórum Trabalhista. Depois, haverá uma caminhada até a prefeitura. Mauro diz que a jornada de lutas no Dia do Agricultor visa mostrar à sociedade o problema sério que pode afetar ainda mais a qualidade de vida das pessoas nas cidades já debilitadas pela miséria, desemprego e violência: a migração do homem do campo para os centros urbanos. "Um estudo da USP mostra que 13 milhões de camponeses estão com o pé na estrada em busca de alternativas nas cidades. Nós lutamos para ficar na terra, mas é preciso mudar a política econômica e agrícola para gerar emprego e renda ou não haverá como permanecer no campo.'' O dirigente sem-terra admite que tem havido alguns avanços nas últimas negociações do MST com o governo, como a liberação de R$ 2 mil para as famílias assentadas e o compromisso de assentar 60 mil famílias neste ano. "Só que esses avanços são pontuais e a agricultura brasileira vive uma situação de grave crise, com investimento anual de R$ 6 bilhões quando um levantamento dos próprios técnicos do governo estima ser necessário investir R$ 43 bilhões para salvar 2,5 bilhões dos 5 bilhões de estabelecimentos agrícolas do país.'' Comissão Pastoral O Levante do Campo contará com o apoio nas ruas de integrantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT), ligada à Igreja Católica. O bispo d. Tomás Balduíno, presidente da CPT, afirma que o evento é um ato democrático de busca de espaços para manifestar a indignação do homem do campo. Como Gilmar Mauro, d. Balduíno afirma que as negociações recentes com o governo apontam para medidas compensatórias, mas não atacam de frente a necessidade de se fazer a reforma agrária no Brasil.

Edição edição 16957




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