NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

BRASIL
Sexta-feira, 18 de Maio de 2007, 21h:26

MÁFIA DA PROPINA

Ministra bloqueia contas e bens dos 48

Entre os bens apreendidos, constam dez automóveis de luxo, inclusive o Citroen C5, dado como mimo ao ex-governador do Maranhão

VANNILDO MENDES
Da Agência Estado – Brasília
A Polícia Federal está providenciando a remoção para Brasília, em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) em carretas e viaturas, dos materiais e bens apreendidos em poder da quadrilha de fraudadores de licitações de obras públicas desmantelada antehoje pela "Operação Navalha". Além da prisão dos envolvidos, a ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que preside o inquérito, decretou ontem o bloqueio das contas e a indisponibilidade dos bens dos 48 presos na operação. Entre os bens apreendidos, constam dez automóveis de luxo, inclusive o Citroen C5, calculado em R$ 110 mil, dado como mimo ao ex-governador do Maranhão, José Reinaldo Tavares por sua atuação na liberação de medições fraudulentas de obras em favor da construtora Gautama, pivô do escândalo. Parte do material apreendido chegou da noite de quinta-feira, junto com o primeiro lote de prisioneiros oriundos da Bahia e do Maranhão. Outro lote procedente do Piauí, chegou hoje. Mas o maior volume de apreensões virá em lotes por terra e ar neste fim de semana e na segunda-feira. O bloqueio das contas e a indisponibilidade dos bens destinam-se a cobrir eventuais danos aos cofres públicos a serem apurados. A PF estima-se que seja de mais de R$ 100 milhões o volume dos contratos em favor da Gautama fraudados pela quadrilha mediante medições fraudulentas de obras, superfaturamento e desvios. ESTRUTURA A organização, conforme as investigações, já havia se estruturado em nove Estados, mais o Distrito Federal, para fraudar contratos de programas do governo, como o Luz para todos e as construções de pontes e estradas, além de ter se organizado para desviar verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado pelo presidente Lula em janeiro passado. A medida atinge, além do citroën de José Reinaldo, bens expressivos de outros integrantes do grupo, como o ex-deputado federal Ivan Paixão, que teria recebido R$ 50 mil diretamente do empresário Zuleido Veras, para facilitar a liberação de 6,8 milhões para a Gautama relativo a obras superfaturadas em Sergipe. Outro atingido com apreensão de bens foi Nilson Aparecido Leitão prefeito de Sinop, que teria recebido propina de 200 mil para direcionar a contratação da Gautama na execução de obras da rede de esgoto da cidade. O deputado Pedro Passos (PMDB-DF), também teve suas contas e bens bloqueadas por conta das vantagens em dinheiro que teria recebido por ter atuado junto à Câmara Distrital de Brasília na liberação de R$ 3,5 milhões para a empreiteira. Também foi atingido o ex-assessor de José Reinaldo, Geraldo Magela Fernandes da Rocha, servidor do Maranhão, acusado de ter recebido três propinas, uma delas no valor de R$ 56,3 mil, por ter interferido na liberação de medições em prol da Gautama junto com Carlos Oliveira, da Construtora Galvão. João Alves Neto, filho do ex-governador de Sergipe, João Alves e dois sobrinhos do atual governador do Maranhão, Jackson Lago, também tiveram bens e contas bloqueados por suposto favorecimento da Gautama em troca de propina. Embora tenha sido libertado por habeas corpus ontem, Flávio Conceição de Oliveira, conselheiro do Tribunal de Contas de Sergipe e ex-chefe da Casa Civil do governo João Alves, teve carro e bens apreendidos para eventual indenização aos cofres públicos. Conforme as investigações, ele recebeu R$ 216 mil de Zuleido para partilhar com João Alves Neto além de ter articulado, já como conselheiro do tribunal, para dirigir obras em favor da Gautama e evitar investigações contra a empreiteira. Outro com a situação complicada é Adeilson Teixeira Bezerra, secretário de Infra-Estrutura de Alagoas, acusado de ter recebido R$ 145 mil de Zuleido por medições de obras fraudadas. Também membro do alto escalão do governo alagoano, o secretário Enéas de Alencastro Neto teria recebido R$ 150 mil diretamente de Zuleido, além de outras vantagens para distribuição com outros corruptos do Estado.

Edição EDIÇÃO 16958




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL