BRASIL
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008, 21h:14
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CPI DOS CARTÕES
Mesmo com boicote, CPI já tem 172 adesões
Tucano diz que já possui a adesão de 172 deputados e 34 senadores à CPI - são necessárias, ao menos, 171 na Câmara e outras 27 no Senado
EUGÊNIA LOPES e CHRISTIANE SAMARCO
Da Agência Estado Brasília
Apesar da pressão dos senadores da oposição, e até de alguns governistas, por ordem do Planalto a base aliada manteve ontem a decisão de não abrir espaço para PSDB e DEM no comando da CPI dos Cartões. Diante do impasse, mesmo depois de conseguirem o número de assinaturas para a criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara e do Senado para investigar o mau uso dos cartões corporativos, os partidos de oposição resolveram não apresentar o pedido formal de abertura de CPI. Os oposicionistas reúnem-se hoje para decidir quais serão os próximos passos. Antes de protocolar o pedido de CPI, oposição quer tentar um acordo e dar um prazo para que o governo dê o sinal verde sobre o compartilhamento do comando da futura comissão de inquérito. Alguns governistas concordam em abrir espaço para a oposição no comando da CPI. O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), defendem que a presidência da comissão fique nas mãos da oposição. Mas no Palácio do Planalto a ordem é não abrir mão do comando da CPI. Parte do PMDB e os petistas também são contrários a dividir o poder. Alegam que, este ano, o governo não precisará de nenhum voto da oposição, uma vez que não haverá apreciação de matérias constitucionais, situação em que o governo não tem maioria no Senado. "O governo não tem nada para votar no Senado que não consiga aprovar com os votos de sua própria base", observou o líder do PSB, senador Renato Casagrande (ES), favorável a um acordo com a oposição. "Infelizmente não abro a cabeça deles", disse Jucá, ao defender um acordo para que a presidência da CPI fique com a oposição. Preocupado com a paralisia no Senado, o presidente Garibaldi Alves se comprometeu a conversar com o Planalto para que a oposição fique com um dos postos de comando da CPI. "Se for necessário, falo com o presidente Lula", afirmou Alves. Hoje, a oposição iniciou uma "obstrução branca" no Senado, permitindo apenas a votação de redação final de projetos de lei já apreciados. LISTA Requerimento e lista - Depois de dois dias, apenas 172 deputados haviam assinado, até o início da noite, o requerimento de instalação da comissão. A oposição temia que, na última hora, deputados retirassem seu apoio à CPI. Além disso, segundo o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), autor do requerimento da CPI, nenhum líder da base aliada assinou o pedido de criação da comissão. "Há algo estranho no ar. Por que os líderes não assinaram uma matéria que é consensual?", indagou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). Diante da falta de apoio da base aliada na Câmara, apesar da recomendação expressa do Palácio do Planalto favorável à CPI, Sampaio suspeita que os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e da Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), tenham feito um acordo para inviabilizar a comissão. "Se fizeram um acordo para me induzir ao erro, eu é que saio de bobo nessa história", reclamou Sampaio. "De repente teve um jogo armado entre o líder do governo na Câmara e no Senado." Ao tomar conhecimento de que os líderes aliados na Câmara não haviam assinado o requerimento da CPI, Romero Jucá voltou a afirmar que a orientação do Palácio do Planalto é a favor da abertura da comissão. "O que posso fazer se eles não assinaram? Eu não comando a Câmara", argumentou Jucá. "O Fontana deve estar discutindo preciosismos", afirmou. "A maioria dos partidos na Câmara é contra a CPI. Portanto, não temos obrigação nenhuma de assinar esse requerimento", disse o vice-líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).