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BRASIL
Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2004, 20h:33

CRIANÇAS

Maníaco volta a assumir assassinatos

O paranaense Adriano Silva encontra-se preso na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas, onde está desde a sua prisão

GERSON LOPES
Agência Folha – Passo Fundo
O paranaense Adriano da Silva, 25, voltou a assumir ontem os assassinatos das 12 crianças na região norte do Estado do Rio Grande do Sul. Em audiência realizada ontem à tarde, no Fórum de Passo Fundo, ele disse que, durante as reconstituições dos crimes, teria sido sugestionado a mudar seu primeiro depoimento e negar o envolvimento em quatro mortes, sendo duas na cidade de Soledade e outras duas em Passo Fundo. Nesses quatros casos, a polícia já havia indiciado outras pessoas pelos assassinatos. Silva foi trazido da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas, onde está recolhido desde a sua prisão. Ele foi ouvido pelo juiz titular da 1ª Vara Crime João Paulo Bernstein na condição de informante. Pela primeira vez, o paranaense ficou frente a frente com o vendedor Jorge Vasconcelos, 48, acusado da morte do menino Jéferson Borges Silveira, 11. O corpo do garoto foi encontrado em 5 de setembro, em um matagal, distante cerca de oito quilômetros do centro de Passo Fundo. Residente na cidade de Gravataí, o vendedor de equipamentos de escritório estava preso desde setembro do ano passado. De acordo com o inquérito, ele teria sido visto com a vítima em um hotel, no dia em que ela desapareceu. Durante a audiência, acompanhada pelo defensor público da 1ª Vara do Júri de Porto Alegre Artur da Costa e dois promotores, Adriano da Silva surpreendeu ao mudar mais uma vez seu depoimento. Ele confirmou ter agido sozinho em todos os crimes. Também disse que não conhecia o representante comercial e nem os seis menores indiciados pela morte do vendedor de rapaduras Volnei Siqueira dos Santos. Dois laudos periciais realizados pelo Instituto Geral de Perícia apontaram que o material (sêmen) recolhido nas roupas de Santos e no corpo de Silveira coincidiram com o perfil genético do assassino. Silva disse ter praticado os crimes porque sente prazer em matar e forneceu detalhes de como assassinou as 12 crianças. Com a confissão do paranaense, a advogada de Vasconcelos, Irma Quiroga Freire, ingressou com um pedido de liberdade provisória, o qual foi deferido pelo juiz. O vendedor foi solto no final da tarde de ontem. “Aqui dentro eu descobri que Deus existe. Estive à beira da morte, mas a justiça foi feita. O ano de 2004 está começando hoje para mim", disse o vendedor.

Edição edição 16957




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