TÂNIA MONTEIRO
Da Agência Estado - Cancún (México)
No seu discurso de improviso, na reunião de cúpula dos países latino-americanos e do Caribe, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a reformulação da Organização das Nações Unidas (ONU) e defendeu as Malvinas para a Argentina. Para Lula, este "é o momento político" de se discutir a reformulação do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Naquele momento, a presidenta argentina Cristina Kirchner já havia deixado Cancún. "É inexorável que a gente discuta este papel (do Conselho de Segurança da ONU). Não é possível que ele continue representado pelos interesses da Segunda Guerra Mundial. Por que isso não muda?", indagou. "Se nós não enfrentarmos este debate, a ONU vai continuar a funcionar sem representatividade e o conflito no Oriente Médio vai ficar por conta do interesse dos norte-americanos quando, na verdade, a ONU é que deveria estar negociando a paz no Oriente Médio", disse o presidente brasileiro. Na opinião de Lula, a ONU perdeu a sua representatividade. "Muitos países preferem a ONU frágil para que eles possam fazer do seu comportamento a personalidade de governança mundial", desabafou o presidente, que chegou a dar um murro na mesa enquanto falava, exaltado. Lula pregou a união dos chamados países menores para mudar o Conselho de Segurança da ONU. O presidente falou ainda que, quando a tragédia do terremoto atingiu o Haiti, aquele país já estava em uma miséria muito grande e já havia sido explorado por "ladrões" e "ditadores".