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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

BRASIL
Sábado, 28 de Junho de 2008, 14h:13

CAMPANHA

Lula não quer mistura de governo e campanha

Lula reuniu por pelo menos duas vezes seus ministros para tratar do assunto

O ministro da Justiça, Tarso Genro, informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou seus auxiliares a não utilizar programas institucionais do governo nas campanhas eleitorais em outubro. "Não vou misturar nenhuma ação institucional do ministério com campanha eleitoral. Essa é uma orientação muito firme e muito clara do presidente Lula, e todos nós vamos obedecer", explicou o ministro. Tarso fez a declaração sexta-feira na cerimônia de liberação de projetos e recursos do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), no Palácio do Planalto. Ele explicou que, em princípio, fará campanha preferencialmente no Rio Grande do Sul, sua base eleitoral. "Eu vou participar preferencialmente no Rio Grande do Sul no fim de semana e eventualmente, em algum dia de semana, que eu esteja em algum Estado, em horário fora de expediente. Em outras regiões, vou fazer na medida do possível", disse. O presidente Lula reuniu por pelo menos duas vezes seus ministros para definir em que medida integrantes do governo poderão participar das campanhas e atuar como cabos eleitorais no pleito de outubro. Nas duas ocasiões, não houve consenso sobre eventuais restrições. Todos os integrantes do governo, no entanto, foram alertados para que tomassem cuidado com abusos que possam ser alvo de contestações judiciais. PIOR MOMENTO O chefe-de-gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, afirmou em entrevista à revista Veja que o pior o momento enfretando pelo governo foi o episódio do mensalão, em 2005. Segundo ele, "havia muita gente convicta de que o governo tinha acabado, de que o impeachment do presidente era iminente". Sobre a crise, Carvalho destacou a noite em que o ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e o ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, teriam pedido a Lula para entrar em acordo com a oposição - o presidente abriria mão da reeleição em troca do restante do mandato. O chefe-de-gabinete também classificou como "trágico" o caso do "dólar da cueca", em que um petista foi preso transportando notas dentro da peça íntima. Carvalho afirmou ainda que Lula é um presidente que "concentra muito o poder". "Aquela visão que havia de que José Dirceu ou Palocci mandavam no governo é equivocada. Ele é um sujeito que controla tudo com mão-de-ferro o tempo todo", disse. Perguntado sobre as prioridades do presidente no governo, o chefe-de-gabinete disse que Lula se preocupa especialmente com a economia. "A cabeça de Lula é a do peão do ABC. O núcleo da preocupação do presidente é com emprego e salário. (...) Mesmo em relação à reforma agrária, eu não sinto que ele se empenhe tanto quanto por salário e emprego. Nem quanto ao ambiente", afirmou.

Edição edição 16957




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