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Cuiabá MT, Terça-feira, 18 de Janeiro de 2022
BRASIL
Sábado, 15 de Janeiro de 2022, 00h:00

PANDEMIA

Indústria diz poder entregar até 10 milhões de autotestes de Covid por mês

Entidade do setor estima que demanda será inferior à capacidade de produção e projeta preço mais baixo para o exame caseiro

MATEUS VARGAS
Da Folhapress – Brasília

Presidente-executivo da CBDL (Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial), Carlos Gouvêa estima que a indústria instalada no Brasil tem capacidade de produzir até 10 milhões de autotestes de Covid por mês.

A entrega dependeria da demanda pelo exame, que ainda precisa ser regulamentado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e pelo governo federal.

Ainda na estimativa da entidade, que afirma representar 70% do mercado de produtos de diagnóstico, o produto deve ser mais barato que exames de antígeno, hoje fornecidos em farmácias e laboratórios.

A capacidade de produção foi levantada em consulta da CBDL as suas associadas. Considera também a possível fabricação do produto em laboratórios públicos, disse Gouvêa.

Ele projeta que a população deve procurar no mercado privado de 20 milhões a 40 milhões de unidades, em 2022, deste exame que pode ser feito em casa. Já a demanda na rede pública dependeria de políticas públicas definidas pelos governos.

Gouvêa afirma que a produção do autoteste é mais cara que de exames de antígeno, mas que o produto final deve custar menos, pois não inclui o preço do serviço do exame.

"Hoje a gente vê valores de R$ 70 a R$ 150 (de testes de antígeno) nas farmácias. O autoteste deve ficar de R$ 45 a R$ 70", afirma Gouvêa.

Entidades científicas cobraram nesta terça (11) uma política de testagem mais ampla e a permissão do exame em casa. A procura pelos testes disparou com o avanço da contaminação na virada do ano.

Em nota divulgada nesta quarta (12), a Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica) alertou para risco de falta insumos necessários nos exames da Covid-19. A entidade recomendou priorização de exames a pacientes "segundo uma escala de gravidade".

O presidente-executivo da CBDL disse que a falta do produto não é generalizada e não deve se alongar, pois as empresas voltaram a contratar e ampliar linhas de fabricação.

Segundo Gouvêa, o mercado deve conseguir ofertar volume maior do que o exigido de autotestes pelos consumidores, mas delimitar essa demanda ainda dependeria do avanço da doença. "O autoteste vem para complementar. O próprio exame RT-PCR [considerado 'padrão-ouro'] continua tendo o seu papel", disse ele.

O representante da indústria estima que os primeiros exames que podem ser feitos em casa da Covid chegariam ao mercado cerca de um mês após a regulamentação do produto pelo governo. Depois de liberada a regra, as empresas ainda devem registrar os testes na Anvisa e fornecer os produtos.

Para Gouvêa, haverá boa oferta de autotestes em cerca de três meses após a entrada do produto no Brasil. Ele afirma que empresas nacionais já têm desenhos de autotestes prontos para serem fabricados.

A testagem no Brasil está centrada em clínicas, farmácias e serviços públicos. A Anvisa aguarda que o ministério proponha uma política pública para, então, regulamentar o autoteste.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que a proposta do governo federal deve ser entregue à agência nesta semana.

"É uma iniciativa que pode se somar ao esforço do ministério da Saúde, do poder público, de uma maneira geral", afirmou o ministro nesta quarta sobre o autoteste.

Uma das dúvidas no governo é sobre como notificar ao SUS o diagnóstico da Covid obtido pelo autoteste.

Para Gouvêa, uma alternativa é fornecer um QR Code na caixa dos dispositivos para que o paciente avise o governo caso confirme a infecção.

O presidente da CBDL ainda afirma que o autoteste é complementar, assim a notificação do resultado não seria a principal função. "A pessoa testada em casa no mínimo vai buscar confirmação da infecção, provavelmente no laboratório. Vai ainda parar de sair, avisar pessoas mais próximas. Já atingiu objetivo de saúde pública de cortar a transmissão da Covid", afirmou.

Segundo consulta da entidade com as suas associadas, o mercado privado ofereceu cerca de 38 milhões de testes de antígeno em 2020 no Brasil e 31 milhões no ano seguinte. A tendência, avalia Gouvêa, é de queda na procura em 2022 no mercado privado, para 20 milhões, pois o governo federal promete reforçar a distribuição este tipo de exame no SUS com a entrega de cerca de 40 milhões de unidades.

Além disso, parte da demanda deve ser suprida pelo autoteste, afirma Gouvêa.

Segundo ele, a maioria dos produtos de exames caseiros é vendida em caixa com um teste disponível. "Alguns fabricantes avaliam entregar com dois testes por unidade. Nos Estados Unidos há caixas com 5 exames", disse. Os testes são compostos por material de coleta da amostra do paciente, além de diluentes e um dispositivo para apresentar o resultado da análise.

A própria pessoa coleta material (com auxílio de um swab, como em um PCR normal) e o deposita sobre uma superfície que aponta se está infectada ou não.

A indústria brasileira, em geral, monta o produto no Brasil, com partes importadas, segundo Gouvêa.

O autoteste não é autorizado no Brasil por causa de uma resolução da Anvisa de 2015, que diz que não podem ser fornecidos para leigos produtos que tenham a finalidade de diagnóstico de presença ou exposição a agente transmissível, "incluindo agentes que causam doenças infecciosas passíveis de notificação compulsória".

A mesma regra estabelece que a proibição "poderá ser afastada" se houver "políticas públicas e ações estratégicas formalmente instituídas pelo Ministério da Saúde".

E uma exceção para isso já ocorreu. Há alguns anos, após iniciativa do Ministério da Saúde, foram liberados os autotestes para HIV, que têm o apoio da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde).

Para Gouvêa, há margem para o Brasil avançar sobre autoteste de outras doenças, como de HPV, sífilis e Hepatite C.

 


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