Antes mesmo de fechar qual será o salário mínimo em 2007, o governo já discute qual será a regra de reajuste que irá vigorar nos próximo anos. O ministro Guido Mantega (Fazenda) defende uma política permanente em que o aumento real - já descontada a inflação - seria menor que o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) per capita. O que eu defendo é um crescimento real, porém abaixo do crescimento do PIB de modo a não pressionar as despesas da Previdência, que hoje é a maior despesa que nós temos. Tudo isso para que sobrem mais recursos para investimento, defendeu. Hoje, o reajuste do salário mínimo leva em conta a inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e a variação do PIB per capita. Cerca de 25 milhões de brasileiros recebem um salário mínimo por mês, entre eles 16 milhões de aposentados. É por essa razão que esse reajuste tem um forte impacto nas contas da Previdência Social. A adoção de uma política permanente de reajuste do mínimo foi tema de uma reunião entre ministro do Palácio do Planalto. No entanto, de acordo com Mantega, ainda não se chegou a uma definição. Para ele, o mais importante hoje o aumento da taxa de investimentos no país, o que garantiria maior geração de emprego. Nós precisamos aumentar a taxa de investimento do país. Isso é bom para todo mundo, inclusive para os trabalhadores, porque isso vai representar mais emprego. A melhor forma de fazer justiça social é aumentar emprego. Mantega admitiu que a elevação do salário mínimo de R$ 350 para R$ 367 poderá resultar em dificuldade de aprovação no Congresso Nacional, mas que esse reajuste cumpre a regra de reajuste vigente. Quando o Executivo enviou a proposta orçamentária para o Congresso Nacional, em agosto, o salário mínimo previsto era R$ 375, o equivalente a um reajuste de 7,14%. No entanto, com as previsões de inflação e PIB menores que a previstas em meados do ano, o governo começou a falar em um reajuste menor, de 4,86%, para R$ 367.