BRASIL
Quarta-feira, 26 de Maio de 2010, 21h:46
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SERRA
Governo boliviano é cúmplice de traficantes
Segundo Serra, cerca de 90% da cocaína produzida lá é consumida aqui no Brasil
ALFREDO JUNQUEIRA
Da Agência Estado Rio
O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, afirmou ontem que o governo boliviano é cúmplice dos traficantes que enviam, segundo ele, cerca de 90% da cocaína produzida em seu país para ser consumida no Brasil. De acordo com o tucano, é impossível que as autoridades da Bolívia não saibam que esta quantidade de drogas atravessa as fronteiras entre os dois países. "A cocaína vem de 80% a 90% da Bolívia, que é um governo amigo, não é? Como se fala muito", ironizou o pré-candidato. "Você acha que a Bolívia iria exportar 90% da cocaína consumida no Brasil sem que o governo de lá fosse cúmplice? Impossível. O governo boliviano é cúmplice disto. Quem tem que enfrentar esta questão? O governo federal", declarou Serra, em entrevista ao programa "Se liga, Brasil", na Rádio Globo, no Rio de Janeiro. Após o programa, o pré-candidato do PSDB disse que não fez uma acusação, mas uma análise. Reafirmou que autoridades do país vizinho não agem como deveriam para conter o envio de drogas para o Brasil e disse que há, pelo menos, corpo mole do governo boliviano. Questionado se não temia provocar um incidente diplomático com o governo de Evo Morales, o tucano disse que não. "A melhor coisa diplomática é o governo da Bolívia passar a combater ativamente a entrada de cocaína no Brasil. Não apenas o Brasil combater do nosso lado, como o governo boliviano tratar de agitar também", afirmou Serra. As afirmações foram feitas quando o pré-candidato defendia o maior envolvimento do governo federal no combate à criminalidade e a criação do Ministério da Segurança Pública. Serra explicou que poderá enviar um proposta de emenda constitucional ao Congresso para garantir a maior participação da União na questão. O tucano também fez críticas à Força Nacional de Segurança Pública, que, segundo ele, não funciona. REAJUSTE Serra ainda defendeu a manutenção do reajuste de 7,7% para aposentados e pensionistas, como foi aprovado pelo Congresso Nacional. Ele evitou comentar o debate sobre o fim do fator previdenciário - instrumento que desestimula aposentadorias precoces -, mas ressaltou que respeitará a decisão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O tucano ainda anunciou ser favorável a uma nova reforma da previdência, pois, segundo ele, "os aposentados ficaram para trás". Serra, no entanto, não quis dar detalhes sobre as possíveis mudanças que proporia ao regime previdenciário brasileiro. O pré-candidato do PSDB ainda garantiu que o apoio do PTB a sua coligação não vai interferir no seu modo de governar, caso seja eleito, e que não promoverá loteamento de cargos na administração federal. O novo aliado, que se une ao DEM e ao PPS na aliança liderada pelos tucano, é presidido pelo deputado federal cassado Roberto Jefferson, um dos pivôs do escândalo do mensalão. "Fui candidato a governador com o apoio do PTB e não fiz nenhum loteamento ao PTB ou a qualquer outro partido. Tive maioria folgada na Assembleia Legislativa sem fazer troca-troca", afirmou Serra.