BRASIL
Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2002, 20h:45
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Fernando Henrique Cardoso volta a elogiar lula
MURILO FIUZA DE MELO
Agência Folha Rio
O presidente Fernando Henrique Cardoso fez ontem novos elogios ao sucessor Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele disse ser verdadeira a expressão Lulinha paz e amor", cunhada pelo presidente eleito na campanha eleitoral. Segundo FHC, só vem sendo possível manter padrões civilizatórios" na transição porque Lula está ajudando. Eu quero aqui prestar um reconhecimento. Se foi possível manter-se uma transição que assegurou, possivelmente, maior credibilidade ao futuro governo e ao país, é porque quem vai me suceder entendeu isso. A frase que saía na campanha eleitoral, Lulinha paz e amor", pegou porque ele [Lula] tem algo de paz e amor. Se não tivesse, não pegaria. Simplesmente, o slogan não colaria", disse o presidente durante o lançamento de dois livros da FGV (Fundação Getúlio Vargas) em homenagem ao ex-ministro Mário Henrique Simonsen (1935-1997). No discurso, FHC fez um rápido balanço dos oito anos de governo e recomendou a Lula que continue com o ajuste fiscal e as reformas do Estado. Disse que enfrentou a inflação, mas lamentou não ter conseguido aprovar a reforma da Previdência. A reforma da Previdência continua sendo necessária, para que nós possamos efetivamente chegar a uma moeda que seja realmente consolidada. Estamos longe de tê-la. Nós precisamos continuar reformando o Estado e mantendo o ajuste fiscal", disse. Para FHC, o grande drama" do homem público é que suas ações não dependem só dele, mas de muitos outros. Nem sempre se consegue convencer, como na questão da Previdência. O problema dos aposentados é o problema dos pobres, mas dá sempre a impressão do contrário. Ou seja, de que quem vai mexer com aposentadoria está mexendo com os pobres. É difícil convencer de que não é assim. Muitas vezes se falha, como nós próprios falhamos", afirmou FHC. Em outro elogio a Lula, embora implícito, o presidente disse que um governante precisa também da emoção para administrar. Ninguém é capaz de criar nada se não tiver emoção. A gente pode esconder a emoção, e eu escondo sempre, mas ela é indispensável." No último sábado, Lula chorou ao receber o diploma de presidente. Após o lançamento dos livros, FHC participou de almoço com empresários, promovido pela Associação Comercial do Rio e pela Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro). No almoço, FHC disse que não pretende concorrer mais a cargos eletivos. Procurarei ser ex-presidente mesmo, e não candidato a nada, mas seguindo como ex-presidente, candidato a continuar servindo ao Brasil." FHC disse aos empresários que a história de um país deve ser entendida como processo, não como conquistas de um governo. Como exemplo, citou o combate ao analfabetismo, que, afirmou, foi a nódoa" do país no século 20, assim como a escravidão foi para o século 19.