BRASIL
Quinta-feira, 17 de Junho de 2010, 20h:17
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DOSSIÊ
Ex-delegado depõe e afirma ter provas
ROSA COSTA
Da Agência Estado Brasília
O delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo Sousa disse ontem que recebeu uma proposta de integrantes da equipe de campanha da candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, para espionar e preparar um dossiê contra o adversário do PSDB, José Serra. Em depoimento à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, o ex-delegado disse que foi convidado para um encontro em nome do coordenador da campanha de Dilma, Fernando Pimentel, para tratar de um problema de vazamento de informações no comitê eleitoral petista. Mas que chegando ao local combinado, sentiu que o alvo do trabalho era outro e que, na realidade, os jornalistas Luiz Lanzetta, que integrava a campanha da petista, e Amaury Ribeiro queriam mesmo era que ele "vigiasse" o candidato tucano e pessoas ligadas a ele. "Como eu recusei, notei que, ali, o tal contrato (ligado ao comitê) começou a fazer água", afirmou. "Porque depois se comprovou que eles não tinham interesse em investigar esse fato (vazamento de informações)". Onézimo insinuou que gravou a conversa, ao rebater a afirmação atribuídas a Luiz Lanzetta, de que ele teria oferecido o serviço contra Serra. "A recusa foi minha e eu tenho como provar", garantiu. O policial disse que Lanzetta se apresentou como sendo "representante" de Pimentel. Junto com os jornalistas - informou - estava o "Bené", que mais tarde descobriu ser o empresário Benedito de Oliveira, que teria se identificado na ocasião como sendo o "responsável" pelo pagamento do serviço. O preço oferecido, segundo o depoente, seria de R$ 1,6 milhão, em 10 parcelas de R$ 160 mil, "preferencialmente" em dinheiro vivo. Onézimo disse que quando recebeu a proposta - "me perdoem a impressão, que considerei indecente" - perguntou: "Vocês querem reeditar o Aloprados 2? ". Segundo ele, Amaury tentou convencê-lo, dizendo que tinha "dois tiros" contra Serra, um dos quais - na avaliação do policial - envolveria Verônica Serra, a filha do candidato. Ele negou ter ouvido de seus interlocutores a palavra "grampo" e, sim, o pedido de fazer "um levantamento", embora tenha entendido que eles queriam, mesmo, era um serviço de escuta telefônica. "Se alguém queria saber tudo sobre determinada pessoa, como é que eu posso saber tudo? Para um bom entendedor, um pingo é letra, não existe outro tipo de conversa. Não existe outro tipo de conversa", frisou. O delegado disse que os três interlocutores chegaram até ele por intermédio do sargento reformado da Aeronáutica Idalberto Martins de Araujo, como revelou o jornal "O Estado de S.Paulo", seu amigo há muito anos. O ex-militar, conhecido por Dadá, também foi convidado pela comissão, mas não compareceu e nem justificou a ausência. Como Onézimo disse que "parece que ele se aposentou há 60 dias", o líder da minoria na Câmara, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), vai checar junto à Aeronáutica se ele estava realmente reformado, quando teria se proposto a fazer um trabalho privado. Genoino Presente ao depoimento, o deputado José Genoino (PT-SP) tentou desqualificar as afirmações do policial. A certa altura, ele perguntou se houve a "proposta concreta" de fazer um dossiê ou se teria sido apenas uma "insinuação". "Foi uma proposta concreta, tanto que eu não aceitei", respondeu. Quando questionado pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR) se a gravação seria a "carta na manga" respondeu: "como profissional cuidadoso, eu pergunto ao senhor (senador), se faria isso". Foi ainda irônico, com relação à estratégia de seus interlocutores, ao lembrar que eles "falharam" porque saíram de seu domínio e vieram falar comigo num restaurante". "Se eu tivesse (a gravação), não iria apresentar aqui, pois como responderei a processo, apresento no momento oportuno, se a tiver", concluiu.