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BRASIL
Terça-feira, 28 de Junho de 2011, 20h:27

CAMPINAS

Delator volta a acusar primeira-dama

Delator do suposto esquema de corrupção na Prefeitura de Campinas (93 km de São Paulo), o ex-presidente da Sanasa (empresa mista de saneamento), Luiz Castrillon de Aquino, voltou a afirmar ontem que a primeira-dama, Rosely Nassim dos Santos, comandava a cobrança de propinas em troca de contratos. Em depoimento à Justiça, Aquino disse ainda que todas as licitações para contratos de prestação de serviço da Sanasa foram fraudadas. As empresas vencedoras eram procuradas previamente por agentes públicos e, segundo ele, ajudavam a elaborar os editais. As licitações eram direcionadas para empresas que aceitavam 'devolver' entre 5% e 12% do valor dos contratos como propina a integrantes da administração, conforme Aquino. Beneficiado por um acordo de delação premiada, ele assumiu participação no esquema e disse que chegou a entregar a propina oferecida por empresários à primeira-dama, que era também chefe de gabinete do marido e prefeito Hélio de Oliveira Santos, o dr. Hélio (PDT). A entrega do dinheiro ocorria na prefeitura, no escritório particular e na casa da primeira-dama, segundo Aquino. "O prefeito nunca me viu entregando dinheiro para ela, eu entrava no escritório na casa dele, conversava com ela, saía, continuava conversando com ele. Ele nunca participou de nenhuma dessas entregas, se ele sabia ou não sabia, eu não posso fazer inferência", afirmou Aquino à Justiça. Enquanto foi presidente da Sanasa, entre janeiro de 2005 e julho de 2008, Aquino foi responsável por escolher as empresas vencedoras das licitações de prestação de serviço. 'Todas foram fraudadas, era impossível haver competitividade', disse. Desde 2009, o Ministério Público investiga uma organização criminosa supostamente liderada pelo empresário José Carlos Cepera, que contaria com o apoio dos lobistas Maurício Manduca e Emerson Oliveira para fraudar licitações em 11 cidades do Estado de São Paulo, em Minas Gerais e no Tocantins. A suposta quadrilha foi denunciada em setembro do ano passado. Em janeiro deste ano, Aquino fez o acordo de delação premiada com os promotores e relatou detalhes do braço do esquema que supostamente atuou em Campinas. Um novo processo foi aberto, dessa vez apontando uma outra organização integrada por empresários e membros da administração municipal, como o vice-prefeito, Demétrio Vilagra (PT), a primeira-dama e o próprio Aquino. Ao todo, 22 pessoas foram denunciadas no início deste mês. "O esquema todo era comandado desde o começo pela dra. Rosely [Nassim]. A grande mentora, pessoa que realmente comanda todas as coisas, é ela", afirmou Aquino. O depoimento desta terça se refere ao processo originado pela primeira denúncia, de 2010, na qual Aquino não foi acusado. Ele foi apenas arrolado como testemunha. O advogado da primeira-dama, Eduardo Carnelós, nega as acusações de Aquino. "Ela não pode confirmar uma mentira e não tem nem cabimento responder ao que diz um desqualificado que confessa ter praticado um crime e tenta, para se livrar, acusar outras pessoas", disse o advogado.

Edição EDIÇÃO 16958




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