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BRASIL
Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010, 10h:06

SUCESSÃO DE LULA

Congresso do PT vai aclamar Dilma

VERA ROSA
Da Agência Estado – Brasília
Com o slogan "O Brasil é nossa bandeira", o PT inicia hoje seu 4.º Congresso Nacional, em Brasília, para sacramentar a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aprovar as diretrizes que vão nortear o programa de governo e definir a política de alianças da campanha. No discurso preparado sob medida para aceitar a "herança bendita", Dilma vai enaltecer as obras do governo Lula e a necessidade de preservar o modelo econômico, como faz a nova versão de sua plataforma, retocada a pedido do governo. A aclamação de Dilma como candidata ocorrerá no sábado, dia marcado para o seu pronunciamento no megaencontro petista. Em tom emocional, a chefe da Casa Civil dirigirá afagos ao PT e pedirá o apoio do partido para enfrentar o desafio histórico, considerado maior do que ela pode enfrentar sozinha, de substituir Lula na chapa. Nos 30 anos do PT, esta será a primeira eleição presidencial disputada pela sigla sem o nome dele na cédula de votação. Tudo foi planejado para a ministra encarnar o pós Lula e se declarar portadora da energia do presidente, dando continuidade à sua missão. Ela citará eixos do plano de governo, intitulado "A Grande Transformação", como educação, saúde, segurança, grandes cidades e juventude. O documento incorporou trechos inteiros de referências à importância da estabilidade econômica na era Lula e numa eventual gestão Dilma. Na prática, os ajustes no tom do programa - coordenado pelo assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia - ocorreram depois que o texto passou pelo crivo do Palácio do Planalto, como revelou o "Grupo Estado" na semana passada. "Eu tive a oportunidade de conversar com o presidente e ele disse que não tinha cabimento o PT fazer um programa de governo diferente do que nós estamos fazendo. O nosso programa tem que partir do que nós fizemos desde 2003 e dizer que dá para avançar mais na distribuição de renda e na industrialização, por exemplo", afirmou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. "Além disso, a economia é muito sensível. Como poderíamos nos apresentar para nos suceder negando o que nós fizemos? Seria um tiro no pé." Lula pediu mudanças no texto por avaliar que o esboço não contemplava os "avanços" dos quase oito anos de seu governo em áreas como economia, saúde e educação e, além disso, dava margem para interpretações "errôneas" sobre o possível caráter estatizante das propostas.

Edição EDIÇÃO 16958




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