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BRASIL
Quarta-feira, 09 de Fevereiro de 2011, 20h:34

EGITO

Confrontos resultam em mais 3 mortes

Três pessoas foram mortas e várias ficaram feridas por tiros disparados em confrontos, ocorridos terça e nesta quarta, entre forças de segurança e cerca de 3.000 manifestantes em El Jargo, cidade localidade em meio ao deserto no sul do país. Ao se darem conta da morte dos manifestantes, os habitantes, enfurecidos, atearam fogo a sete edifícios, entre eles duas delegacias de polícia, um tribunal e a sede local do PND. Vários movimentos sociais para reclamar melhores condições de trabalho ou salariais também saíram às ruas. Nos últimos dois dias foram registrados protestos em estaleiros do porto Said, na entrada do canal de Suez, e em várias empresas privadas que operam no estratégico eixo do comércio mundial. INTERVENÇÃO O Exército egípcio poderá ser obrigado a intervir para proteger o país caso os protestos contra o regime provoquem um "estado de caos", advertiu ontem o ministro das Relações Exteriores, Ahmed Abdul Gheit, citado pela agência estatal Mena. "Nós temos que preservar a Constituição, mesmo que esta seja alterada", disse Abul Gheit à emissora de TV Al Arabiya, de acordo com a agência Mena. "Ele afirmou que caso o caos ocorra, as forças armadas intervirão para controlar o país, um passo, segundo ele, que poderá levar a uma situação muito perigosa", informou a agência, citando o entrevistado. Milhares de pessoas voltaram a se concentrar na praça Tahrir, epicentro dos protestos e que na véspera foi palco da maior concentração desde que as manifestações começaram, no último dia 25. A pouca distância, centenas de pessoas cercaram o Parlamento e a sede do governo, situados frente a frente. Os dois edifícios estavam protegidos por militares e veículos blindados, mas o conselho de ministros teve de ser realizado em outro lugar. "Viemos impedir a entrada dos membros do PND [Partido Nacional Democrata, de Mubarak", afirmou Mohamed Abdalah, 25, junto a outros jovens que gritavam slogans contra o chefe de Estado egípcio. Apesar da persistência dos manifestantes e do toque de recolher que ainda é implementado entre 20h e 6h, a maioria das lojas da capital voltou a abrir nesta quarta-feira. As manifestações haviam dado lugar, nos primeiros dias, a violentos enfrentamentos com as forças de segurança, que deixaram ao menos 300 mortos e milhares de feridos, segundo avaliações da ONU (Organização das Nações Unidas). As marchas também se espalharam a outras grandes cidades, como Alexandria (norte) e Suez (leste), ambas submetidas também ao toque de recolher. O regime de Mubarak tentou todo tipo de respostas para conter a onda de protestos, desde a repressão, passando por concessões políticas até a aposta do desgaste dos manifestantes. Mubarak, 82, no poder desde 1981, prometeu não voltar a se apresentar como candidato na eleição presidencial de setembro. O vice-presidente Omar Suleiman abriu um diálogo com setores da oposição, que compreende desde grupos democráticos e até a Irmandade Muçulmana.

Edição EDIÇÃO 16958




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