Cantores se dizem perseguidos por governo e pela imprensa
ANA WAMBIER
Da AF Rio
Cantores e compositores de músicas funk disseram ontem que se sentem perseguidos pela autoridades governamentais e pela imprensa. Embora concordem que algumas composições têm forte apelo erótico, 14 MCs (mestres-de-cerimônia) e DJs do gênero chamaram de injustas as críticas aos bailes e à música funk, numa reunião com a vice-governadora do Rio, Benedita da Silva (PT). "O funk não tem culpa de a menina ter engravidado. Nem sabemos ao certo se ela engravidou mesmo num baile funk. Estão querendo manipular histórias, disse o DJ Marlboro, um dos mais conhecidos do Rio, referindo-se à denúncia, feita pela Secretaria Municipal da Saúde, do caso de uma menor que engravidou em uma festa funk durante a chamada dança das cadeiras -em que meninas mantêm relações sexuais com diferentes rapazes. "Se a menina manteve relações sexuais em público, isso mostra o que ela é, e não o que é o nosso movimento cultural, disse Marcos Ribeiro Chaves, o MC Marquinho. Marquinho fez uma autocrítica e disse que o funk "precisa dar uma aliviada nos duplos sentidos das letras. "Tenho uma filha de cinco anos. Acho que ela até entende o verdadeiro sentido. Por ela, e não por mim, acho que as músicas deveriam ser mais leves. Autor de sucessos "Calça da Gang e "Bate na palma da mão, o DJ Mascote (Fábio de Oliveira Cordeiro), 25, disse que os produtores dos bailes são os verdadeiros culpados pela vulgarização do movimento funk." "O MC escreve o que ele vive na comunidade. Mas, se a letra está pesada, os produtores deveriam dar limites. A cantora Vanessinha Picatchu (Vanessa Ferreira da Silva), 19, afirmou que suas próximas canções não conterão tantos sentidos eróticos, devido ao contrato que assinou com a gravadora Sony. "Vou maneirar agora.