BRASIL
Segunda-feira, 07 de Junho de 2004, 19h:56
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HOMICÍDIOS
Brasil é o 5º país entre jovens
LUCIANA CONSTANTINO
Agência Folha Brasília
O Brasil é o quinto em um ranking de 67 países com a maior taxa de homicídios de jovens na faixa dos 15 aos 24 anos. Isso significa que, a cada 100 mil jovens brasileiros, 54,5 foram assassinados em 2002. O país fica atrás somente de Colômbia, Ilhas Virgens, El Salvador e Venezuela. Analisando a evolução dos homicídios entre 1993 e 2002, detecta-se um aumento de 88,6% nas mortes de jovens no período. São provocadas por armas de fogo em um terço dos casos. A maioria das vítimas é homem, negro e morre aos finais de semana. O ritmo de crescimento do número de assassinatos entre os jovens é maior do que na população total. No mesmo período, o aumento de homicídios na população geral (considerando todas as faixas etárias) foi de 62,3%. Ou seja, 49.640 brasileiros foram assassinados em 2002, o que deixa o Brasil em quarto lugar no ranking dos 67 países analisados pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). O quadro está traçado no livro O Mapa da Violência 4 - Os Jovens do Brasil", do pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, divulgado em Brasília. Publicada a cada dois anos, a pesquisa é a quarta feita pela Unesco para traçar a situação dos jovens. Os resultados de 2002 já indicavam que o crescimento no número de homicídios no Brasil na última década era conseqüência direta do aumento de assassinatos de jovens. Desta vez, Waiselfisz voltou a analisar dados das regiões metropolitanas, incluiu a incidência do fator raça e aumentou o número de países na comparação internacional. Com base em dados do IBGE e do Ministério da Saúde, o pesquisador chega a conclusões alarmantes: 39,9% das mortes de jovens brasileiros em 2002 se devem a homicídios. Aliados a acidentes de trânsito e suicídios, são as causas que mais matam os que estão na faixa etária dos 15 a 24. Além disso, o foco da violência tem deixado de ser as capitais, com um número crescente de casos no interior. Dos 49.640 assassinatos registrados em 2002 no país, 18.986 (38,24%) foram em cidades do interior. Em 99, o índice era de 35,12%. Para Waiselfisz, essa interiorização tem, principalmente, duas explicações: expansão da economia em municípios fora das regiões metropolitanas e concentração do investimento de recursos públicos voltados à segurança nas capitais. Qualquer solução que se queira dar para a violência e os homicídios tem de passar pela juventude", conclui o pesquisador. Ressalta que o custo da violência no país pode chegar a 10% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo suas próprias contas. E compara: Todos os gastos aplicados em educação no Brasil chegam a 5,3% do PIB. Com isso, o custo da violência é o dobro do que se investe no ensino". Usando o mesmo argumento, o representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein, insiste na necessidade de criar políticas públicas voltadas para a juventude. Hoje existem ações separadas. É necessário uma política pública que as organize. Precisamos dar respostas para combater a violência não apenas de forma repressiva, mas também preventiva, mantendo os jovens na escola. Dar uma bolsa por mês ao aluno é mais barato do que manter Febens", afirma Werthein. O governo federal, representado no lançamento do livro pelo ministro Agnelo Queiroz (Esporte), lembra que criou grupo de trabalho para cuidar de políticas voltadas para os jovens. Para a pesquisadora Edinilsa Ramos de Souza, do Claves (Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde), ligado à Fundação Oswaldo Cruz, os fatores que contribuem para o alto número de homicídios entre jovens são o aumento dessa população na década de 80, além do envolvimento com o tráfico de drogas e contrabando de armas.