BRASIL
Sábado, 03 de Maio de 2008, 14h:59
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ELEIÇÕES
Base terá duas ou três candidaturas em 2010
CHRISTIANE SAMARCO
Da Agência Estado Brasília
Além de administrar Pernambuco, o governador Eduardo Campos comanda a direção nacional do PSB em meio a um processo eleitoral do qual a legenda quer participar com 1.300 candidatos a prefeito. O PSB aposta que, ao final desta disputa municipal estará estruturado em 3.500 das 5.561 cidades brasileiras. Essa ambição política é parte de um projeto de consolidação como legenda de porte médio, o que implica crescer, não rejeitar alianças e administrar conflitos diretos com partidos da base aliada do governo Lula. Foi por isso que Eduardo Campos deu, na semana passada, um recado claro ao PT: não abre mão de alianças com o PSDB para garantir a reeleição dos prefeitos de capitais, como Serafim Corrêa, de Manaus, e a eleição de socialistas em grandes centros urbanos, como Belo Horizonte. O governador não vincula a disputa de 2008 às eleições de 2010, mas tampouco acredita em candidatura única da base na corrida presidencial. "Podemos estar juntos no segundo turno. A base terá duas ou três candidaturas", avalia. Aposta, ainda, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o maior eleitor não só em 2008, mas também em 2010, e mais: "Com ou sem faixa presidencial, ele será um ator importante no processo e o pós-Lula não será sem Lula", afirma Campos, nesta entrevista ao Estado. Dirigentes do PSB dizem que, se o PT quiser apoio para eleger a ministra Marta Suplicy em São Paulo, terá que facilitar a disputa em Belo Horizonte, onde a cúpula petista vetou o apoio do PSDB a Márcio Lacerda (PSB). Essa questão tem que ser compreendida dentro do espaço de Minas. Lá, PSB e PT já estiveram juntos ao longo de três gestões de grande importância para a capital e, agora, o que há de novo é o desejo do governador Aécio Neves (PSDB) de apoiar esta aliança. O PSB participa do governo de Minas e precisa do apoio de Aécio. Temos uma extraordinária relação com ele, mas deixamos claro que isto não tem nada a ver com 2010. Isto é 2008. Mas foi pensando nas eleições de 2010 que a direção nacional do PT vetou a parceria oficial com o governador Aécio Neves. Não vou comentar a nota do PT. Antecipar 2010 só serve a quem quer atrapalhar o presidente Lula no cumprimento de seu segundo mandato. Faz um ano e pouco que houve uma eleição e este segundo mandato tem sido de mais êxitos, por todas as dificuldades políticas e econômicas que tivemos de enfrentar no primeiro. A gente ficar com esse eleitoralismo neste momento não ajuda o Brasil real. Pode ajudar os políticos, os partidos, seus dirigentes, mas não ajuda em nada as pessoas que tão lutando pela vida e pelo equilíbrio das contas de suas empresas.