Os integrantes da base de apoio do governo no Senado respiraram aliviados depois do discurso feito no plenário pelo senador Almeida Lima (PDT-SE). Ele havia anunciado anteontem que apresentaria documentos com provas irrefutáveis do envolvimento do ministro da Casa Civil, José Dirceu, com o ex-assessor da pasta Waldomiro Diniz. A líder do PT, Ideli Salvatti (SC), disse não ter sido surpreendida com o que chamou de brincadeira de Lima. Todos nós tínhamos a confiança absoluta de que todo o estardalhaço não se traduziria em fatos reais, afirmou. De acordo com o discurso de Lima, o Inquérito da PF afirma que Dirceu sabia das denúncias de desvio de verbas da Loterj e das ligações com a máfia do jogo contra Diniz desde o ano passado e trabalhou em uma operação abafa, juntamente com o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, para evitar a investigação. O líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), foi à tribuna defender Dirceu das acusações do senador sergipano. Ele declarou que Lima apenas reproduziu a notícia do site do O Dia reproduzidas em um relatório da Polícia federal. TELEFONEMA Durante o discurso, Garotinho, falou por telefone com o líder do PMDB do Senado, Renan Calheiros (AL), e negou que teria recebido ligações de Dirceu pedindo que abafasse a investigação. Garotinho telefonou para o senador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), que passou o telefone para Renan. Calheiros disse no plenário que Garotinho afirmou que, apesar das divergências que têm o ministro, jamais recebeu qualquer ligação dele para abafar a operação. Até o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), saiu em defesa de Dirceu. Ele foi irônico afirmando que Lima mereceria uma estátua por ter tido a coragem de subir à tribuna para defender o ministro. O sentimento de alívio também foi verificado no mercado financeiro, que iniciou o dia nervoso a espera do esperado fato novo. Antes mesmo do fim do discurso, o índice Bovespa já estava subindo e a cotação do dólar recuava.