O Conselho de Ética da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) escolheu ontem um novo relator para o processo de cassação que foi aberto contra o deputado estadual Álvaro Lins (PMDB). Lins é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha armada durante o período em que foi chefe da Polícia Civil no governo de Rosinha Garotinho (PMDB). As acusações são fruto de investigação da Polícia Federal na Operação Segurança Pública S A., na qual o ex-governador Anthony Garotinho também foi indiciado por formação de quadrilha armada. Eles negam envolvimento. Com a desistência da deputada peemedebista Aparecida Gama, que havia sido escolhida por sorteio ontem depois que os membros do colegiado relutaram em assumir a tarefa, o cargo foi entregue ao deputado Audir Santana (PSC). Ele foi escolhido pelo presidente do Conselho de Ética, Paulo Melo (PMDB), que chegou a cogitar relatar o caso ele mesmo. Audir, que não tinha se oferecido para o posto por estar prestes a concorrer à Prefeitura de Itaboraí (RJ), afirmou que não poupará esforços para abreviar o processo contra Lins, que tem prazo oficial de 90 dias. Com o impasse em torno da escolha do relator, o deputado estadual André Corrêa (PPS) chegou a se oferecer para exercer a função. No entanto, como não é membro do Conselho de Ética, a proposta não foi aceita. A decisão do presidente do colegiado só foi tomada após uma conversa reservada com os parlamentares numa sala. Melo indicou a si mesmo como sub-relator do processo. Lins não foi encontrado para ser notificado pelos emissários da comissão sobre a abertura do processo, o que impediu que começassem a ser contados os cinco dias para ele entregar sua defesa por escrito e indicar até dez testemunhas de defesa. Porém, o ex-chefe da Polícia Civil deve assinar a notificação no hoje.