Azul
Sábado, 02 de Junho de 2001, 12h:24
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CRISE
Cidadão, você é um trouxa!
É nisso que a incompetente equipe de Fernando Henrique Cardoso nos transformou: em trouxas.
LUIS CAVERSAN
Da Agência Folha
Caro leitor, desculpe a franqueza, mas você é um trouxa. Você, eu, cada brasileiro que será obrigado a apagar luzes, abrir mão do seu sagrado direito de usar roupas passadas, de comer pão torrado, de aquecer seu quarto neste inverno, de acender a luz... De que mais podem ser chamados os milhares de cidadãos que elegeram FHC duas vezes e por ele e sua sensacional tropa de assessores foram enganados? De que mais podemos ser chamados nós que, em algum momento, acreditamos que esses cidadãos estavam lá em Brasília para trabalhar, para tocar a nação, fazer as coisas funcionarem? De que mais podem ser chamados aqueles que, mesmo sendo contra tudo e todos neste governo, terão de arcar com os custos de sua inoperância? Trouxas. Eu sou um grande trouxa, porque jamais imaginei que se pudesse chegar a uma crise de energia como a atual, que os investimentos necessários para garantir o abastecimento não estavam sendo feitos e, principalmente, que o governo "não sabia" que estávamos à beira do colapso. Nunca fui capaz de supor que pudesse haver tanta incompetência. E agora, nós, os trouxas, vemos os incompetentes que não fizeram seu trabalho (e que seriam demitidos sumariamente em qualquer empresa) passarem da incapacidade à arrogância. Falam como se a culpa fosse nossa, ameaçam com punições como se tivéssemos feito algo de muito grave, fora, é claro, ter acreditado neles. Atacam a população, as leis, os juízes. É uma barbaridade o que esse moço cujo único mérito é ser casado com a filha do presidente tem falado dos juízes que se manifestaram contra os absurdos que o governo está nos impondo. Fascista: foi assim que, muito apropriadamente, o jornalista Janio de Freitas classificou o sujeito. É impressionante a desfaçatez: de uma penada revoga-se aquele que eu considero o mais importante conjunto de normas de amparo ao cidadão, que é o Código de Defesa do Consumidor. E o advogado-geral da União tem a coragem de dizer que era necessário fazer isso porque o código não prevê situações como a que o país está vivendo. Claro que não! Que legislador, ao elaborar uma lei, iria imaginar que pudesse haver gente tão inábil administrando este país? E a "doença" é contagiante e galopante: passaram nos cobres serviços essenciais sobre os quais não temos mais o menor controle (essas agências reguladoras são uma piada), jogaram a Petrobras nas mãos de neófitos que mandaram para o fundo do mar uma plataforma de petróleo gigantesca e que valia meio bilhão de dólares, perderam fortunas oceânicas dando a mão amiga a banqueiros pilantras e, finalmente, permitiram que se instalasse uma crise de energia elétrica que vai penalizar Deus e o mundo. É um conjunto tão grande de trapalhadas que ofusca qualquer mérito que se possa atribuir a esse governo ou a desacertos de administrações passadas. Certamente o grupo que "governa" este país vai entrar para a História. Pelas portas dos fundos. E agora, nós, os trouxas, vemos os incompetentes que não fizeram seu trabalho (e que seriam demitidos sumariamente em qualquer empresa) passarem da incapacidade à arrogância. Falam como se a culpa fosse nossa, ameaçam com punições como se tivéssemos feito algo de muito grave, fora, é claro, ter acreditado neles.