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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

ARTIGO
Domingo, 23 de Julho de 2000, 18h:08

ROSIVALDO SENNA

Violência, greve e descaso

A segurança do mato-grossense nunca esteve tão precária como agora. Além das deficiências do aparato policial, que mesmo em “tempos de paz” (?) não consegue combater a marginalidade e evitar os assaltos, arrombamentos, estupros e assassinatos, hoje as policias assinam o atestado de falência. Para complicar ainda mais a situação vem a greve que, desta vez, conta com um novo ingrediente: a atuação das esposas dos militares. Elas foram para as portas dos batalhões para evitar que os maridos, abalados psicologicamente, trabalhem. A atitude pode parecer estranha, ou sensacionalistas para alguns, mas retrata a realidade de uma polícia desestruturada, justamente por estar sempre em segundo plano para as autoridades, principalmente pelo governador do estado, para quem, pelo jeito, a segurança está uma maravilha. Não se trata de nenhuma novidade que o policial, antes de ir para a rua trabalhar, necessita de paz em sua própria casa. E isso não está acontecendo, prova disso são as declarações das esposas, que alegam, entre outras coisas, alimento em casa. Quem teria condições de cuidar da segurança dos outros, sabendo que deixou em casa esposa e filhos com fome? Mas a falta de respeito com a população vai muito além do que muitos imaginam. Fala-se em verbas, projetos de segurança e outros engodos mais, só que na realidade nada é feito. O despreparo começa nos quartéis, onde a ciumeira e o comprometimento político falam mais alto. Toda vez que alguém assume o comando da Polícia Militar ou uma de suas sessões ligada diretamente ao combate à violência com idéias novas e busca um maior contato com a comunidade, procurando um caminho para pelo menos amenizar a situação, é demitido sumariamente. Em seu lugar é colocado outro, apto para fazer o jogo político, mas sem qualquer comprometimento com a segurança da população. Tudo foi interrompido quando sociedade e polícia começaram a discutir a falta de segurança e qual o melhor meio, dentro das deficiências do aparato responsável pela segurança pública, de dar uma maior tranquilidade à população. Não há uma continuidade deste trabalho e tudo volta à estaca zero. Mais um ponto para a marginalidade. Todos esses fatores, aliado a má remuneração do policial, não traz qualquer perspectiva de melhora. A população continuará à mercê da sorte e as polícias sem a devida atenção das autoridades. Enquanto isso, a violência segue seu caminho destruidor, e os marginais, impunes, trazendo o terror. Antigamente, no período de eleição, a coisa melhorava um pouco. Hoje em dia... ROSIVALDO SENNA é editor de Economia do DIÁRIO e escreve neste espaço às segundas-feiras. E-mail: [email protected]

Edição edição 16957




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