Quem quer brincar de jornalista põe o dedo aqui que já vai fechar... Quem nunca ouviu a chamada cantada para brincadeiras? Não sei quantos anos tem isso, mas sem dúvida acho que ninguém, ou cada vez menos pessoas se interessam por essa brincadeira. Recentemente tivemos uma comoção geral, pois perdemos a garantia constitucional de ter empregos protegidos por um diploma. Não pretendo discutir se o diploma ou o ensino para exercer a profissão é necessário. Na minha opinião, a educação é fundamental e quanto mais conhecimento acumulado melhor o cidadão, seja como pessoa, seja como profissional e o jornalismo não é diferente. O que pretendo colocar em discussão é a necessidade de valorização do profissional jornalista, especialmente aqueles dos jornais impressos. Vemos a cada dia jornais mais fracos. Mesmo nos Estados Unidos ou primeiramente por lá, os mesmos estão solicitando auxílio ao governo para se manterem vivos. Aqui, sem governo, nenhum, repito nenhum veículo (TV, rádio, jornal, etc) permanece vivo de maneira saudável, ou seja, dando lucro. Não estou defendendo dinheiro público para imprensa, mesmo porque a comunicação deve ser social e é um dever do poder público informar, não é verdade!? Contudo, o problema maior não está na nossa adaptação aos novos tempos da internet, celulares ou mesmo da não exigência de diplomas, mas sim nos salários que estão totalmente fora da realidade. O atual piso foi consolidado na justiça em 1995 e o valor de R$ 1050,00 correspondia na época a 10,5 salários mínimos. Se transportássemos este valor atualmente o piso seria de R$ 4.800,00 e provavelmente todas as empresas faliriam (risos). Não é isso que interessa para a gente, por razões óbvias, mas o que tenho visto é uma sobrecarga de tarefas ao profissional. Os únicos jornalistas que conheço que têm apenas um emprego estão estudando, quer dizer, tem só um porque não tem tempo para outro (apesar de fazerem bicos). Cobrar que o jornalista renda, corra atrás de matérias, dedique o seu tempo extra para produzir um jornal impresso ou eletrônico com mais qualidade exige uma contrapartida mínima para além dos tapinhas nas costas e elogios verbais. Não vou falar dos pormenores... Talvez por tudo isso, cada vez menos estudantes acreditam em super-homem e pretendam brincar de jornalistas. E quem canta os versinhos citados acima tem visto as mãos vazias e o som ecoar para ninguém. CLAUDIO DE OLIVEIRA é jornalista e publicitário, mestrando em Estudos Culturais. Repórter do DC Ilustrado e tem um blog WWW.ponteseportas.blogspot.com
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