ANA V. FERRAZ MATOS
A cada dia que passa tenho a convicção de que nós, da classe empresarial, temos que ter uma visão ampla e multifacetada no que tange a cultura, educação, sociedade e meio ambiente. Neste sentido, temos que abraçar uma causa, que pode não ser maior do que nossos próprios negócios, mas de expressiva relevância, diante do que sonhamos e colocamos em prática em prol da coletividade. E neste sentido, a ousadia fala mais alto e não há fronteiras entre o querer e o fazer, numa constante superação, diante de vários desafios. Recentemente conferi in loco o sucesso do Intercâmbio Brasil-Chile promovido pelo Instituto Usina com a Universidad Santo Tomás. Uma representa a sociedade organizada mato-grossense que desenvolve ações municipalistas de cultura, arte e meio ambiente. Outra, uma instituição educacional privada sediada na capital chilena com unidades pelas principais cidades do país hermano. A convite das organizadoras e como uma das patrocinadoras de suas iniciativas na campanha de valorização do bairro do Porto de Cuiabá, estive uma semana com elas no Chile representando meu país, meu Estado e Cuiabá cidade no Centro Geodésico da América do Sul, agora interligada culturalmente com a região portuária do Pacífico. Nossa geografia é de fronteiras não eqüidistantes. Descobri que para o tão sonhado comércio internacional com aquele país e a oportunidade para o mundo que ele oferece por seus portos, a primeira ponte é a cultura e a arte. Quando sabem das nossas letras, nossas cores, nossa musicalidade... estão mais próximos de aceitarem nossos produtos. Levamos ao Chile duas exposições da artista Lucia Picanço e o livro Porto, da poeta Luciene Carvalho. Os trabalhos de expressões artísticas de nossa terra foram, primorosamente, abrigados por uma semana no Club Viña del Mar, um palácio centenário mantido por empresários de multinacionais. A arte mato-grossense, portanto, foi recebida com respeito e glamour. Na pele, tive que agir como embaixadora do lugar que vim. Acostumada ao trânsito nacional e internacional empresarial e turístico, desta vez cumpri a função de interlocutora, gestora de pessoas e registro, totalmente pelo fazer cultural. Apostar e investir na arte e na cultura popular de onde vivemos é impulsionar toda a comunidade que estes simbolizam. Agora sei da importância de critérios de talento e qualidade, pois senti (felizmente) na pele a responsabilidade de representar meu país. Empresas e governos precisam investir em cultura e arte. Empresários, governantes e seus conselheiros precisam ser mais conscientes do produto cultural. Saber que estas linguagens motivam o conceito que terão de toda uma população. Nossa empresa já não seria a mesma, não fossem nossas ações focadas nestes preceitos. E isso tenho verificado com elevado grau de emoção, através de ações das quais realizamos em parceria, a exemplo do próprio bairro Porto, através do Instituto Usina e do projeto Vozes & Música na Dança da Vida, no qual estamos ajudando a construir, junto com a Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais-BPW Cuiabá, a cidadania de crianças e adolescentes que não tinham com o que sonhar, e que hoje encontram na arte de interpretar, tocar, cantar e dançar, a razão para viverem uma realidade mais próxima daquilo que anseiam. Ao nos engajarmos na Responsabilidade Social, caminhamos além de nossas obrigações, mensurando resultados enriquecedores. Somos diversos, somos ricos, somos intensos. E já está na hora de conhecermos também estas características de quem tão perto vive de nossas fronteiras, de espaço, de línguas, de histórias. Tudo se mistura. É gratificante contribuir com a herança de hermanamento que estamos plantando de agora para nossas gerações futuras. Vivemos todos num continente abençoado, que tanto tem para interagir, ensinar e aprender usando instrumentos como o turismo cultural, que tem como base nosso melhor produto não-perecível: cultura, arte e fé. Vamos acordar! A arte brasileira tem estatura para falar como gerador de integração internacional e fortalecimento econômico. E nossas ações responsáveis podem encurtar estas distâncias e nos conduzir a lugares inimagináveis. * ANA VIRGINIA FERRAZ MATOS é diretora de O Boticário em Cuiabá e Várzea Grande/MT e empreendedora social
[email protected]