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ARTIGO
Terça-feira, 13 de Março de 2007, 21h:11

ADILSON LUIZ GONÇALVES

Tá ficando quente!

As conclusões do recente relatório sobre os efeitos e perspectivas do aquecimento global, não para os próximos séculos, mas para as próximas, letalmente próximas, décadas assombraram o mundo. Já existiam teses sobre a Terra viver um período entre eras glaciais, e que as mudanças climáticas seriam o prólogo da próxima; mas esse estudo coloca a ação humana como o principal vilão nesse processo apocalíptico. Lembram da brincadeira “Tá ficando quente!”? Pois é... Parece que estão tratando do assunto fazendo o contrário: distanciando-se dele, como se isso fizesse “ficar frio”. Os condicionadores de ar ajudam nisso... Assim, só agora parece haver comoção pública sobre o assunto. Alguns até acreditam que a partir dessas conclusões os EUA, principais responsáveis pela poluição global, passem a enfrentar o problema. Será que ainda há tempo? Mas, com toda a sua tecnologia e pesquisas científicas de ponta, eles não sabiam dessa progressão nefasta? Será que faltavam dados quantitativos para que eles e outras toupeiras que dominam o mundo realizassem tendências que já eram qualitativamente previsíveis ou evidentes no século XIX? Os modelos matemáticos, atuariais, estatísticos e as simulações em supercomputadores não permitiram prever esse futuro tórrido, sufocante e asmático para o planeta? Duvido! Daí, toupeiras parece ser a definição exata para esses poderosos dirigentes mundiais e seus financiadores, pois, cegos para o resultado em médio e longo prazo de suas políticas econômicas, projetos de poder e dominação, eles definem o macro-destino da Terra como se já estivessem a se preparar para viver abaixo da superfície. Ao que parece, eles fizeram opções conscientes e distraíram o povo – sobretudo os jovens – para ocultar as conseqüências de seus atos. Só os “verdes” – alguns bastante radicais – têm resistido, mas mesmo sobre eles pairam dúvidas: Quem os financia? Não são excessivamente pirotécnicos? Alguns atuam no Terceiro Mundo servindo a propósitos político-econômicos do Primeiro? Os arautos do caos, mistificadores fundamentalistas e oportunistas da religião também alertam, mas parecem estar mais interessados em serem idolatrados ou em aliviar o bolso dos incautos do que em evitar que o pior aconteça. Afinal, a irracionalidade continua sendo um negócio altamente lucrativo! Os cientistas, com certeza, alertam os governantes há muito tempo, mas muitos parecem estar mais concentrados em demonstrar suas teorias do que em antecipá-las. Assim o extrativismo selvagem, a devastação de florestas e a poluição ambiental prosseguem. Algumas propostas mirabolantes são feitas, algumas inconseqüentes, intervencionistas: “internacionalizar” a Amazônia, por exemplo. Mas os estudos mostram que, mesmo que ela seja preservada e reflorestada, a poluição gerada em outros cantos do planeta pode destruí-la! Além disso, sejamos francos: O que ocorre na Amazônia não é fruto da demanda internacional? Quem compra a madeira? A soja que se planta e o gado que pasta, ali, são para o mercado brasileiro? Por que, então, em vez de colocar “olho grande”, cheio de segundas intenções, nos “pulmões” do Terceiro Mundo, endividado e tolhido, as grandes potências não recuperam seus mananciais e reflorestam seus desertos? Será que o dinheiro que serve para fomentar guerras e invasões, e para comprar governantes corruptos e sanguinários não serve para isso? Mas o equilíbrio “humanidade x meio ambiente” é muito mais complexo: Como conciliar a preservação ambiental com a preservação de empregos e a sombra da fome que atinge milhões de seres humanos? Por isso talvez os dirigentes mundiais resolvam manter tudo como está, para ver como é que fica. No máximo, podem estar planejando a sobrevivência das “elites” em “bunkers” sofisticados, ou mediante aprimoramento de sua capacidade orgânica de adaptação em meio ambiente agressivo mediante vacinas desenvolvidas a partir de genes de ratos e baratas. A humanidade precisa deixar de ser operária voluntariosa, servil e distraída de sua própria aniquilação antes que algum “messias” proponha a esterilização em massa, ou produza e dissemine doenças e guerras como forma de controlar a demografia mundial e salvar os “seus escolhidos”. Nesse meio tempo é provável que os culpados de sempre ampliem investimentos, só que não em preservação ambiental, mas em “pão e circo” para distrair o povo da realidade e de seus reais propósitos! Só que “tá ficando quente!”, e o circo já está começando a pegar fogo... * ADILSON LUIZ GONÇALVES, escritor, engenheiro e professor universitário (UniSantos e Unisanta), cursando Mestrado em Educação (UniSantos)

Edição edição 16957




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