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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

ARTIGO
Domingo, 23 de Julho de 2000, 18h:10

ELÉU MAGNO BACCON

Só os paranóicos sobrevivem?

Certa vez, o então principal executivo da Intel, Andrew Grove, afirmou “só os paranóicos sobrevivem” e deu o que falar. Recentemente, temos visto o grande sucesso de jovens que em poucos anos transformaram pequenos sites de Internet em empresas que valem milhões de reais, ou ainda, o caso de surfistas que criaram grifes que hoje dominam certos segmentos do vestuário da juventude. Será que as carreiras tradicionais acabaram? O que temos visto pode ser considerado um processo natural de evolução das necessidades humanas. Assim, como no século passado o ferreiro era uma profissão muito requisitada e hoje não existe mais, as novas profissões são conseqüência de uma explosão de novas demandas por trabalho em um maravilhoso mundo novo no qual a globalização está transformando a vida das pessoas. É impossível obtermos nos bancos escolares e nas universidades todo o conhecimento que necessitamos para trabalhar. Na verdade, a distância entre o conhecimento que as empresas e o mercado de trabalho atualmente exigem das pessoas e o que as instituições de ensino oferecem está aumentando muito. Outro fator importante nesta evolução das profissões e carreiras é o aumento significativo de empresas que estão direcionando os seus processos para a prestação de serviços. O que está acontecendo atualmente no mercado brasileiro de telecomunicações e de Internet é um exemplo disso. O consumidor tem buscado cada vez mais a compra de serviços que lhe permitam a satisfação de suas necessidades com rapidez e qualidade, e com o conforto e a comodidade de fazer tudo isto sem sair de casa. Invariavelmente, as empresas de sucesso são aquelas que descobriram como fazer isto. O perfil do profissional para este tipo de enfoque empresarial é mais voltado para o atendimento das necessidades do cliente, em um mercado consumidor cada vez mais exigente. Isto equivale a dizer que o profissional deverá desenvolver habilidades que possibilitem à empresa uma efetividade no relacionamento com os seus clientes, ou como diria Jean Carlzon, que na “hora da verdade”, o momento mágico em que o cliente define mentalmente a sua preferência, a opção seja pelos seus serviços. A sociedade também está clamando cada vez mais por um mundo mais justo e preocupado com a preservação ambiental do planeta. Os profissionais que buscam colocação no mercado de trabalho deverão ter consciência desta tendência. A utilização de recursos renováveis como forma de energia, a exploração racional das florestas, dos rios e oceanos e a preocupação com o ar que respiramos, em futuro breve, demandarão novas habilidades que serão exigidas para as novas carreiras. A recente busca pelas empresas para a certificação nas normas ISO14000, aquelas que se preocupam com o meio ambiente, são uma amostra disso. Quando Grove falou sobre paranóia, na verdade, o que ele estava querendo dizer é que não há mais espaço hoje em dia para uma postura ortodoxa diante de um mercado de consumo cada vez menos ortodoxo. A busca por qualificação virou uma neurose. O mercado de trabalho tem exigido cursos de nível superior e até mesmo de especialização e pós-graduação para profissionais que muitas vezes vão desempenhar atividades de nível médio. A exigência de conhecimento de idiomas também tem sido uma constante. Não se admite que um profissional não saiba “navegar” na Internet ou não conheça os produtos da Microsoft. Mas isto tudo ainda não é o segredo do sucesso. É necessário ler muito e estar se atualizando constantemente. Nunca na história da humanidade a informação deu tanto poder e dinheiro aos homens. Novas oportunidades de trabalho surgem todos os dias, sempre vindo de encontro à satisfação das necessidades humanas. Para sobreviver nesse novo mundo, desenvolver uma carreira de sucesso, não precisa ser paranóico, mas é necessário estar atento a isso tudo. * ELÉU MAGNO BACCON, diretor de Recursos Humanos da Telemat Brasil Telecom – Regional Oeste)

Edição EDIÇÃO 16958




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