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Cuiabá MT, Segunda-feira, 16 de Maio de 2022
ARTIGO
Terça-feira, 10 de Maio de 2022, 07h:32

RENATO PEREIRA

Retrocesso

A semente do autoritarismo está lançada, sob o aplauso de quem não sabe o que é uma ditadura

A maioria dos eleitores que vai votar em outubro não tinha nascido ou era muito jovem para entender, que, em1985, quando Tancredo Neves foi eleito Presidente da República, encerrava-se um período ditatorial de mais de 20 anos no Brasil.

No período posterior a essa ditadura militar, a palavra mais lembrada pelos políticos em seus pomposos e vazios discursos era “democracia” e todos os candidatos que queriam ficar bem com o povo, diziam-se autênticos democratas.

Daí a democracia foi caminhando sem contestações com Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique, Lula, Dilma e Temer, a ponto de os brasileiros suporem que ela estava suficientemente cristalizada na sociedade e que não corria mais risco de ser questionada.

Mesmo nos momentos turbulentos, como foi a deposição do Collor, substituído por Itamar Franco e no impeachment da Dilma, sucedida pelo vice Michel Temer, não se enxergava o perigo da volta dos militares ao poder.  

Também quando, através da Lava Jato, descobriu-se uma podridão encastelada nos três seguidos governos do PT, as coisas do ponto de vista político continuaram normais, sem se imaginar nenhuma ruptura democrática.

Esses momentos foram muito graves, mas o povo continuava acreditando no poder do voto para alterar as coisas, não nas ações totalitárias.

A recorrência do Presidente – aceita como normal por parte da população - em desmoralizar as instituições brasileiras mostra o perigo que a liberdade está correndo.  A vítima predileta do Presidente é a Justiça Eleitoral, justo ela que é um dos pilares da democracia

Tanto que nas campanhas políticas para as eleições de 2018 a palavra “democracia” que reinara desenvolta no período pós-ditadura, perdeu a relevância.

O importante não era mais exaltar a liberdade, pois esta parecia consolidada, mas combater a corrupção que se alastrara na sociedade.

Agora, nos discursos dos políticos, a palavra “corrupção” está perdendo a importância, sinal de que a ladroeira segue em queda, o que é, sem dúvida, mérito do atual governo. 

Mas, em contrapartida uma outra palavra ganha força – “democracia”. Se ela está sendo lembrada com insistência é porque está ameaçada.

A recorrência do Presidente – aceita como normal por parte da população - em desmoralizar as instituições brasileiras mostra o perigo que a liberdade está correndo. 

A vítima predileta do Presidente é a Justiça Eleitoral, justo ela que é um dos pilares da democracia.

Outra compulsão sua é desmerecer a imprensa tradicional e livre, sem a qual não prospera a liberdade.

Ameaça ainda descumprir determinações do Supremo, fingindo desconhecer que, constitucionalmente, o Supremo fala por último e que deve ser ouvido e acatado. 

Há um risco real de retrocesso institucional, agravado pelo apoio ao autoritarismo de parte da população.

Até aqui, não sabíamos que um grupo importante da sociedade brasileira (cerca de 1/3 dela), apresenta uma pré-disposição de ressuscitar a ditadura, alegando medo da volta da corrupção ou da instalação de um improvável regime marxista no País.

Este grupo, estimulado pelas mídias sociais direcionadas, aprendeu com o bolsonarismo a menosprezar a imprensa profissional, a odiar o STF e a suspeitar da urna eletrônica.

Estranho que a urna, presente nas eleições brasileiras desde 1996, sem nenhum problema, de repente caiu em descrédito só porque o Presidente invocou com ela.   

A semente do autoritarismo está lançada. Pior, sob o aplauso inconsequente dos que não sabem o que é uma ditadura.

Não sabem e nunca vão aprender porque, ignorando a grande imprensa nacional, se informam somente pelo Whatsapp, Instagram, Twitter e outras plataformas da mesma espécie.

RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário e escritor em Cuiabá.


1 COMENTÁRIO:







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Marcio Aurélio Gomes  11-05-2022 06:58:09
Infelizmente essa horda de FANÁTICOS desprovidos de informação (alguns falta até cérebro mesmo) e munidos tão somente de fake news produzidos no palácio do Planalto de forma indiscriminada (e também pelos parlamentares aloprados inconsequentes que alimentam todo dia fogo com gasolina), que soma cerca de 30% do eleitorado, se tornou uma realidade péssima de ser curtida. São todos seres que se alimentam de sangue, raiva, discriminação variada, ódio, rancor e destilam tudo o que lhes é empurrado goela (mente também) abaixo.

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