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ARTIGO
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008, 21h:21

NEUSA BAPTISTA PINTO

Respeite o professor

Respeite o professor. Sem pieguice, é necessário relembrar a importância e o papel estratégico deste profissional em qualquer sociedade, pois muitos empresários da educação privada parecem estar sofrendo de amnésia. Acontece em Cuiabá e Várzea Grande, assim como em São Paulo ou Brasília: hoje, é cada vez mais o mercado – e não o interesse social ou educacional – que guia os investimentos no setor de educação. Some-se a isso a má gestão e a má fé e temos um quadro arrasador: condições precárias de trabalho para professores e auxiliares administrativos e baixa qualidade de ensino para alunos. Basta conversar por cinco minutos com qualquer professor universitário da iniciativa privada. A maioria deles terá uma história arrepiante para contar sobre salários atrasados ou pagos pela metade, de forma parcelada, retirada de horas de aula sem autorização do profissional, mudanças no currículo que acarretam superlotação em salas de aula, etc., etc., etc. A lista de irregularidades não acaba. Como não há lei que regulamente o ensino privado no Brasil, cada um faz como quer. E como der. Em Cuiabá, há pouco a imprensa noticiou que professores dos cursos modulares da Unic no interior do Estado reclamaram desde a falta de condições básicas de estadia, como hotéis de má qualidade, comida e bebida regrada, até os atrasos salariais e a recusa da instituição em remunerar o trabalhador pelo tempo que passa à disposição da instituição. O caso mais recente é o dos professores do Univag Centro Universitário, que não vêem a cor do salário desde setembro do ano passado; só receberam parte do 13º salário e não receberam as férias e outros direitos. Assédio moral, falta de respeito e táticas para desmobilizar a organização dos professores também são comuns. A revolta os levou a publicar um manifesto, que circula pela Internet e foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho pelo sindicato da categoria. A reclamação é pertinente, basta olhar à volta. Quanto tem sido gasto por universidades e faculdades para aumentar a capacidade de 'armazenamento' de alunos, deixar o campus mais bonito e atrativo? Por que será que a alardeada inadimplência – utilizada como justificativa pelos empresários para justificar os atrasos salariais – não prejudica os 'investimentos' em infra-estrutura, mas atinge o salário? Há algo de podre no reino da Dinamarca e a imprensa deveria dar mais atenção a isso. Há professores com nomes inclusos nos serviços do SPC e do SERASA, sem condições de quitar dívidas, sobrevivendo com dificuldades. Mas, sobretudo, desanimados e desestimulados a exercer seu papel de educadores. São estes profissionais que queremos para educar nossos filhos? A falta de comprometimento de muitas instituições privadas de ensino com a Educação é de arrepiar. E é nacional. É a transformação da Educação em mercadoria. Isso deveria preocupar a todos nós. * NEUSA BAPTISTA PINTO é jornalista em Cuiabá [email protected]

Edição edição 16957




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