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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

ARTIGO
Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007, 19h:57

* JOSÉ MEDEIROS

Quem vai salvar o povo cuiabano?

Tenho andado pelas ruas de Cuiabá e visto a campanha sobre a salvação do rio Cuiabá. Seria a melhor idéia da administração Wilson Santos se, por traz destes outdoors, não estivesse a intenção de se privatizar a água. Propor a salvação do rio Cuiabá vinculado à concessão da água, como se uma coisa dependesse da outra, é subestimar a inteligência do povo cuiabano. Essa campanha é sagaz, cínica até, e o ministério público deveria interferir para retirá-la das ruas. Pela mensagem subliminar, esta campanha configura-se uma legítima propaganda enganosa. Se a administração municipal quer salvar o rio Cuiabá, com certeza tem o apoio da população, governo federal, de organismos internacionais e Ongs do mundo inteiro. Se for apresentado um projeto tecnicamente viável, dinheiro não vai faltar. Mas tentam passar a idéia de que a única opção é a entrega de um patrimônio do povo para uma empresa privada, para que ocorra a “salvação” do rio. O raciocínio não bate. Se a Sanecap é deficitária, como é que a empresa concessionária, além de se tornar lucrativa, ainda vai fazer sobrar dinheiro para recuperar o rio Cuiabá? Estas empresas são criadas para gerar lucros, mas nesse caso precisariam muito mais que isso. Teriam que fazer mágica. Experiências anteriores em outras privatizações, nos fazem crer que caso a água do povo cuiabano seja entregue a empresários, estes irão buscar financiamentos junto ao BNDES, para “salvar” o rio Cuiabá. Como o dinheiro do BNDES é por assim dizer, nosso, não faz sentido darmos a água e depois emprestarmos o dinheiro. A pergunta que se faz: “o que está impedindo a prefeitura de buscar esses recursos?. Apoio político não é. Qualquer deputado federal independente de cor partidária ajudaria numa causa nobre como essa. O prefeito pode buscar recursos, inclusive junto ao BNDES tanto para salvar o rio Cuiabá como para “sanear” o sistema de água. Porque então abdicar disso? Em outras cidades o argumento usado para privatizar, é que o órgão gestor está deficitário, que o sistema precisa ser modernizado e que se não privatizar o sistema vai entrar em colapso. Cria-se uma dificuldade e em seguida vem alguém vendendo uma facilidade, no caso, a solução mágica que é sempre a mesma, “vamos privatizar”. Em Cuiabá, os marqueteiros do prefeito tiveram o cuidado de omitir esta verdade e trocaram a palavra privatização por "concessão”, que no fim das contas é a mesma coisa. Aqui tem que se louvar a criatividade. Este factóide, “a Salvação do rio Cuiabᔠé ótimo. Só espero que o povo cuiabano consiga enxergar além da fumaça do marketing e se rebelar contra essa malvadeza que estão tentando fazer, pois caso contrário, o preço pela tal recuperação do rio Cuiabá pode ser muito caro. Às vezes me pergunto quais argumentos convenceriam um político experiente como Wilson Santos a colocar em risco sua história? Politicamente não tem nada a ganhar. A empresa ganhadora desta concessão pode fazer como tantas outras, ou seja, não cumprir o acordado ou cumpri-lo porcamente, chantageando o povo com ameaça de corte da água toda vez que pretender um aumento de tarifas. A que interesse se presta o prefeito com esta proposta de privatização da água? Querem “salvar” o rio Cuiabá, mas quem salvará o povo cuiabano? O leitor pode estar perguntando por que um cidadão de Rondonópolis está metendo a colher nesse assunto, já que diz respeito ao povo cuiabano. Respondo lembrando a todos que a capital de Mato Grosso às vezes é uma vitrine para os demais municípios do Estado. Se esse vírus pega... vai que resolvem querer “salvar” o Rio Vermelho também. * JOSÉ MEDEIROS é suplente de deputado federal pelo PPS de Rondonópolis “A empresa que ganhar essa concessão pode fazer como tantas outras, e não cumprir o acordado”

Edição edição 16957




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