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ARTIGO
Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007, 21h:35

ONOFRE RIBEIRO

Poeira, coragem e esperança - 1

Nos últimos 15 dias fiz uma considerável turnê por municípios de Mato Grosso. Estive em Nova Mutum, em Sinop, em Colíder, em Alta Floresta, em Aripuanã, em Colniza, em Cotriguaçu, em Nova Bandeirante e em Apiacás. Exceto nos quatro primeiros, nos demais estive fazendo uma série de palestras para o Sicredi – Univales, sobre perspectivas do desenvolvimento regional. O Sicredi – Univales é uma das duas unidades centrais de cooperativismo de crédito do sistema Sicredi, com jurisdição sobre os vales dos rios Guaporé, Arinos e Juruena, no noroeste e no norte de Mato Grosso. Confesso que a minha ligação não era profunda com esse sistema de crédito financeiro, sobre o qual pretendo escrever mais adiante. Mas neste artigo e em outros, gostaria de falar sobre o Noroeste e o Norte de Mato Grosso que visitei. O cenário dos municípios do Noroeste – Aripuanã, Colniza, Cotriguaçu, Nova Bandeirantes e, no Norte, Apiacás, varia de pessimismo, ao otimismo e à perplexidade. Gente com coragem, sem dúvida, aliás, com coragem em excesso diante da sua realidade. Conheci Aripuanã há uns 20 anos quando era pouco mais do que uma pequena vila poeirenta e com casas de madeira. Apesar do asfalto no centro da cidade, a Aripuanã de hoje continua muito poeirenta, mas tem outra feição urbana. A próxima construção da Usina Hidrelétrica de Dardanellos, da Eletronorte, e cujas obras estão prontas para começar, certamente vai revolucionar o município de 32 mil habitantes, e a região. Serão empregados mil operários pelos próximos 44 meses e investidos 500 milhões na obra, fora 85 milhões em redes de transmissão. Isso por si só, promete dar um agito econômico imenso sobre o município e sobre a região. Numa cidade onde a extração e a indústria madeireira são muito fortes, junto com a pecuária em grande crescimento, uma obra dessas muda os horizontes do município. Primeiro, pela oferta de energia elétrica, a atração de investimentos será inevitável. Ainda mais se o asfalto chegar ao município, a partir de Juína, a pouco mais de 200 km. E chegará, pela pressão da hidrelétrica, dos negócios que produzirá, e pela modernização da sua antiga economia pioneira. Uma coisa fica muito clara nesses municípios distantes de Cuiabá, como os que visitei: ainda é precária a presença do poder público. Exceto pelos assentamentos de trabalhadores rurais, que em Aripuanã somam mais de 2.500 famílias, aliás, comuns em todos os demais municípios. Esses recebem financiamentos do Pronaf, mais a luz para todos e outros apoios do governo federal, apesar de péssima ou da inexistente presença do Incra. De qualquer modo, o que gostaria neste artigo era dar uma preliminar de uma realidade dura e ao mesmo tempo promissora de duas regiões de Mato Grosso que sofreram muito, mas estão prontas para um longo e esperado progresso. O assunto segue em outros artigos. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM [email protected]

Edição EDIÇÃO 16958




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