No Brasil, recebe nome de maluco, bafão, chato e tantos outras denominações pejorativas quem, de forma insistente, ergue a voz em defesa daquilo que acredita e tem como direito coletivo. No país das inversões, aquele que persiste na luta pela preservação de algo que conhece, entende, sabe que é legal no ponto de vista jurídico e supostamente o melhor para a sociedade, está sujeito à tentativas de ridicularização. Outro dia ouvi alguém chamando de louco, em tom de brincadeira, o homem que é uma das maiores autoridades ambientais do estado, e provavelmente do país. Um especialista que dentro e fora da universidade onde leciona é consultado por estudantes, juristas, órgãos de comunicação e universidades e que não se cala diante do poder e interesses político e econômico escusos. Já que não condiz com o comportamento habitual da maioria dos brasileiros, mereceria reverência, na minha visão, aquele (ou aquela) que não se curva frente ao poder e se mantém em luta por 10, 15, 20 ou 30 anos e continua acreditando que as mudanças importantes não precisam necessariamente acontecer nos dirigentes. Aquele que sabe que o essencial é que os cidadãos aprendam a cobrar seus direitos e coerência nas ações dos que foram eleitos para representá-lo ou, por indicação política ou técnica, estão à frente de órgãos públicos. Todos os dias ficamos frente a frente de novos e engavetados desafios. Às vezes os vimos como pequenos demais e os abandonamos em nome do comodismo ou da boa convivência. Noutras nos intimidamos, achamos que não temos cacife para encará-los. E aí, da frente da tevê, no confortável estofado ou na desgastada poltrona, apenas assistindo a vida passar. À distância dos desmandos do país e seus dirigentes, o máximo que fazemos é discutir os escândalos nas rodas de amigos, como acontece no momento com o fechamento dos bingos, o pedido de CPI para investigar o governo do PT, o caso Valdomiro Diniz ou, aqui mais próximo de nossas casas e ao alcance de nossas mãos, a suspensão judicial da antecipação do fim da piracema. ALECY ALVES é repórter e escreve nesse espaço hoje.
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