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ARTIGO
Sábado, 28 de Junho de 2008, 14h:52

GUSTAVO OLIVEIRA

Os robôs também amam

Imagine se, em um futuro não muito distante, todos os humanos abandonassem a Terra e deixassem um único robô ligado. Wall-E, mais uma animação da Disney/Pixar (de ‘Carros’ e ‘Ratatouille’), que está em cartaz nos cinemas de Cuiabá, mostra exatamente o que aconteceria se essa premissa se tornasse realidade. Dirigido por Andrew Stanton, que ganhou o Oscar de melhor animação por Procurando Nemo, o filme conta a história do robozinho Wall-E, que foi esquecido na Terra e, depois de centenas de anos, adquiriu características quase humanas. Nos seus solitários dias, ele passa o tempo colecionando quinquilharias, assistindo ao musical ‘Alô, Dolly’ (de 1969) e interagindo com a sua barata de estimação. Até que um dia chega ao planeta um outro robô, Eva - cujo desenho teve a colaboração de Jonathan Ive, o todo-poderoso designer da Apple que criou, entre outras coisas, o iPod e o iPhone. O solitário Wall-E se apaixona, e os dois vivem uma espécie de história de amor até que a descoberta de uma planta faz com que ela tenha de voltar a sua nave, e Wall-E vai atrás. Na espaçonave estão todos os humanos, que depois de centenas de anos em uma espécie de cruzeiro intergaláctico ficaram obesos, alienados e preocupados apenas com si mesmos. A tal plantinha que Eva achou pode ser a chance de reocupação do planeta, mas outras máquinas não querem que isso aconteça. Cabe a Wall-E, mesmo que involuntariamente, despertar nos humanos a iniciativa e a coragem perdida há tantos anos. Com poucos diálogos, menos piadas e um tantinho mais sombrio que as animações anteriores, Wall-E é muito mais Pixar do que Disney, ou seja, investe mais na ironia do que na moral da história - que ainda está lá, desta vez alertando sobre a destruição do planeta. Mesmo inspirado em filmes de ficção científica como ‘2001, uma Odisséia no Espaço’, ‘Guerra nas Estrelas’ e até ‘Alien’ - a voz do computador de bordo é de Sigourney Weaver, que protagonizou o thriller, Wall-E trata de amor. E, mais uma vez, a Pixar mostra que dá tranqüilamente para unir inteligência e diversão em um só filme. É só querer. GUSTAVO OLIVEIRA é diretor de Redação do Diário [email protected]

Edição EDIÇÃO 16958




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