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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

ARTIGO
Domingo, 23 de Julho de 2000, 18h:10

LEITOR

Opção pelo índio: questão internacional

“Em detrimento dos habitantes originais, estamos aqui nesta terra já quase sem eles, já sem predomínio da natureza. A nossa terra, pátria amada Brasil. Se fosse diferente, a história oficial do Brasil, relativo ao processo de ocupação do território e formação do povo brasileiro talvez, nem nossa terra, muito menos pátria amada Brasil, mas uma certeza sim, muitos índios e uma exuberante natureza. A versão crítica da história questiona a tradicional, mas, nós os descendentes de outros povos (miscigenação) não existiríamos, até mesmo para contar história, seja em favor dos dominantes (europeus) sejam em favor dos dominados (índios). A história do Brasil tem duas abordagens: uma em favor dos dominantes (história tradicional) e a outra em favor dos dominados (história crítica). Ambas têm credibilidade, por tratarem de concepções relativas as suas respectivas épocas. A história tradicional, que aliás, 500 anos de Brasil, repudiada por nós brasileiros, com aval internacional. Aval..., aí está o fundamento para reflexão. É pertinente registar que a história é produzida de acordo com a conveniência dos dominadores, sob uma pretensa verdade para legitimar o contexto vigente, renegando verdades do contexto anterior. Não se iludam, o desdobramento da nossa história dentro do contexto vigente mundial, tem patrocínio internacional, onde nós que não somos dominadores e sim instrumentos de difusão dessa nova verdade. Poderia ser a história sem genocídios e etnocídios de índios. Sem imposições de hábitos e costumes externos. Invasão não descobrimento desde que não existisse donos (5 milhões). Casualidade ou intencionalidade? Colônia de povoamento e não de exploração . Se diferente fosse.... A opção pelos índios contempla a tendência mundial voltada para uma melhor qualidade de vida, envolvendo água potável, solos férteis, ar puro, preservação de reservas naturais, enfim, buscando reajustamento do equilíbrio ecológico. E o índio pela sua característica preenche tais requisitos acima citados. O índio é a bola da vez, porém, tardiamente. Caso a questão ecológica continuasse irrelevante (relação homem x natureza), talvez o índio continuaria sendo um entrave à civilização, inconveniente ao desenvolvimento econômico. O desequilíbrio ecológico é produto da sociedade moderna (países ricos e pobres). As sociedades indígenas na sua maioria resistem à tecnologia vivendo ainda de forma antiga ou pré-industrial, ou seja, sem agredir a natureza. Para inibir avanços de novas fronteiras expansionistas (agrícola, pecuário, extrativa e núcleos populacionais) patrocinados pelo capitalismo, o índio apresenta como uma das alternativas no sentido de garantia de preservação do espaço com predomínio de natureza. O presente texto tem por objetivo subsidiar outras reflexões sobre o tema gerador/1º semestre de 2000, “Brasil 500 anos”, adotado pela EESG “José de Mesquita”, Cuiabá-MT.” NILSON OLÍVIO DE OLIVEIRA, professor de Geografia/ensino médio (Cuiabá, MT)

Edição EDIÇÃO 16958




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