ARTIGO
Terça-feira, 06 de Julho de 2010, 21h:30
A
A
ADILSON ROSA
Obrigação não é favor
Começa a corrida eleitoral para a presidência da República. O que se vê é uma guerra entre os dois principais candidatos Dilma Rousset, da situação e José Serra, da oposição para tentar divulgar o máximo que cada governo fez. A idéia é fazer uma comparação entre os governos Lula e FHC. Ao que parece, cada candidato quer passar a impressão que aquilo que foi feito, foi um favor para os brasileiros, mas na verdade, trata-se da obrigação. Deveriam fazer E não sair por aí dizendo que fizeram e é para todos agradecerem. Agradecer uma pinóia. Temos que virar as costas e dizer. Muito bem. Fizeram a obrigação de um governante. Vivemos hoje no período mais longo de otimismo que esse país já teve. E graças ao conjunto de medidas começadas lá longe com Fernando Henrique Cardoso e foram aperfeiçoadas por Lula. Mas ninguém fez melhor que o outro, apenas uma complementação. Se fossem trabalhos segmentados, a situação seria outra. Ainda bem que pensam assim. Os candidatos deste pleito precisam nos apresentar propostas daquilo que falta fazer e o que vão fazer. O otimismo que vivemos é limitado também. Imagine você, caro leitor, num carro recém saído da oficina, pronto para uma viagem. Você quer viajar a 110 km por hora, mas o mecânico avisa que, se passar de 80 km por hora, o carro vai começar a trepidar e capotar. É assim a situação da atual economia brasileira. Com 9% de aumento do PIB, a economia não vai agüentar. Primeiro que não haverá produtos para todos, pois com a procura muito acima da oferta, a velha e conhecida inflação já mostra os dentes. Não temos infraestrutura suficiente para escoar a produção. Dinheiro nesse tempo para aplicar nessas obras sempre teve. Faltou alguma coisa. Falando em dinheiro, o atual governo poderia espalhar aos quatro cantos que é o que mais gastou, o que mais gasta e o que também vai deixar a fatura dos gastos com funcionalismo para o próximo governo. Poderia acrescentar como feito do atual governo, um grande aumento de cargos comissionados, os chamados cargos de confiança, que não precisam passar pelo crivo do concurso público. São milhares e milhares de cargos, com salários vultosos criados nos últimos anos para encaixar os companheiros de partidos ou que ajudaram nas últimas eleições. Pelo que se vê, o cofre público se tornou público mesmo. Para um público restrito. *ADILSON ROSA é repórter