NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 02 de Junho de 2001, 13h:44

MARIA LUÍZA CURTI

O País das crises

Semana passada estive nos Estados do Paraná e São Paulo. Na Capital do Paraná, Curitiba, entre outras coisas, fui ver o que é que o curitibano tem. Acabei descobrindo o que ele não tem. Não tem “apagão”. A impressão que se tem é de estar em um outro país: ruas e praças feericamente iluminadas, povo alegre e gentil. E isto tem algumas razões; entre elas: desfrutam em sua maioria de uma qualidade de vida de primeiro mundo e melhor ainda, não sofrem da “paranóia do apagão”. Esse assunto é tratado como uma coisa muito distante e fica restrito apenas aos noticiários nacionais de jornais e TVs. Porém, apesar de todos os Estados do Sul serem auto-suficientes na questão energética e por isso não havendo a possibilidade de ficar no escuro, estão sendo ameaçados pela Câmara de Gestão da Crise Energética com o confisco monetário travestido de “sobretaxa”. Ao chegar a São Paulo, à noite pude constatar a tristeza de uma metrópole que perdeu sua identidade noturna, porque suas luzes e cintilantes propagandas é que davam cara e identificação àquela Capital e, hoje, por incompetência, queda-se depressiva e apagada. Enquanto observava os contrastes entre Sul, Sudeste e Centro Oeste, Brasília continuava produzindo seu habitual festival de lama e sandice para o resto do país, como: - O ex-senador Arruda em seu discurso de renúncia pretendendo nos convencer que mentir e não ser ético é mais “normal” que ser corrupto e assassino. - FHC fazendo uso desse mecanismo antidemocrático que é a Medida Provisória e que só encontra equivalência nos antigos ditatoriais Decretos-Lei, quis investir contra o Código de Defesa do Consumidor. O protesto foi geral, afinal, até a 10 anos atrás quando o povo tinha seus direitos vilipendiados corriam para baixo da cama, xingavam, saiam de lá e abaixavam a cabeça. O Código teve muito trabalho para convencer os brasileiros de que eles eram cidadãos e como cidadãos tinham direitos a reclamar quando estes fossem feridos. Foi preciso muita campanha através dos meios de comunicação para convencê-los de que realmente eles estavam investidos dessa condição. Primeiro a população foi timidamente adquirindo voz; colocaram o pé na porta, exercitaram direitos. Agora, curiosamente, na plenitude democrática vêem alguns déspotas da escuridão e querem fechá-la. É natural o protesto. - FHC, o nosso “Príncipe das Trevas” que ama esse povo acima de tudo o brindou com mais um elogio, além dos – vagabundos, caipiras, fracassomaníacos, jurássicos, neobobos – agora, somos também fascistas, estamos todos babando com tanto carinho da parte do Presidente. - Até o 1º genro fez coro ao sogro e chamou nossos juristas de Marcianos. Estou começando a achar que para se fazer justiça nesse país tem que ser extraterrestre, porque os daqui, estão querendo impedi-los de fazer justiça. - ACM em seu discurso de renúncia nos diz que no governo tem corrupção. Uma surpresa porque ninguém sabia disso e se não fosse pressionado a deixar o Senado estaria guardando esse segredo de polichinelo que não diria “nem sob tortura”. Desde que me conheço por um ser vivente que ouço falar que o país está em crise; atualmente, depois da última, a energética, já estamos ouvindo falar de uma outra que já era nossa velha conhecida – a inflação. Bem, estou de volta a meu lar-doce-lar e já vou começar a me preparar para a festa, pois, um dos déspotas da escuridão disse que vai trazer banda de música para cortar minha luz paga. Adoro festa e esta não quero perder. * MARIA LUÍZA CURTI é psicóloga clínica em Cuiabá e colaboradora do DIÁRIO. E-mail: [email protected]

Edição EDIÇÃO 16958




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL