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ARTIGO
Quarta-feira, 05 de Maio de 2010, 21h:20

FABIANO RABANEDA

O choro

O choro é um efeito fisiológico dos seres humanos. É o resultado da produção em grande quantidade de lágrimas, geralmente quando o individuo está em estado emocional alterado. Tem gente que chora de alegria, explosão de felicidade que é demais para o coração e extrapola os limites do corpo em prantos. A criança que quer chamar a atenção da mãe, chora. Berra, esperneia aos soluços profundos. Golfadas de ar que chegam a cansar o nascituro. Dizem que o choro da criança fortalece os pulmões. Os artistas e atores choram para representar uma dramatização, recurso que Stanislavski aperfeiçoou no Método da Ação Física, baseado na chamada memória emotiva. O Choro virou música popular urbana, surgindo em meados de 1870 no Rio de Janeiro. Tem até Choro alegre: O Chorinho. Nos últimos dias, tenho observado muitos adultos aos prantos: É desembargador que chora pelas conversas de botequim. É advogado que mareja os olhos diante da angústia causada pela Justiça desvirtuada. É o Moral que chora pelo espaço perdido. É Elarmim que chora pelo caso engavetado pelo Tribunal da década de 90. É Governador que chora diante do suposto superfaturamento da licitação bombástica. É Mato Grosso que chora o falecimento de José Fragelli. São os cuiabanos que choram a derrubada do Verdão. E é o miserável esfomeado doente que chora diante das mazelas produzidas por todos os efeitos que fizeram essa gente toda chorar. Quem chora de verdade, terá a alma apaziguada. Far-nos-á sentir remidos de nosso pranto. Jesus chorou por toda a humanidade e ao lado do Pai sorriu. Para os que despejam lágrimas de crocodilo, das dramatizações oriundas da memória emotiva, a estes ficará o peso árduo da consciência. Do dever não cumprido e da população massacrada pelo resultado lacrimal. E para esses, depois, quando chegar o momento do peso, não adiantará fazer chororô: serás medido, serás avaliado, e por tudo o que fizestes não conseguirá ser aprovado. Então veja bem, dos motivos com que chora e dos que faz chorar. * FABIANO RABANEDA é advogado email: [email protected]

Edição EDIÇÃO 16958




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