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ARTIGO
Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006, 20h:09

NATACHA WOGEL

Nós somos o que somos

No domingo, tive a oportunidade de ler um artigo da Danuza Leão, publicado no jornal Folha de São Paulo, que foi uma das coisas mais inteligentes e óbvias que já vi, mas, infelizmente, utópica. Ela argumentava sobre a falta de inteligência de estilistas mundo afora que costumam fazer roupas e expô-las apenas para, e em, manequins magérrimas, que de longe não representam, em lugar nenhum do planeta, a totalidade das mulheres. As normais, e não as modelos, têm medidas um pouco mais avantajadas, alturas bem menores e são as que realmente consomem. A brilhante articulista ponderava justamente o poder de mercado que os famosos estilistas teriam se, ao invés de criar apenas para mulheres magras e esguias, também fizessem modelitos e os expusessem para mulheres com as medidas da maioria: manequins 40, 42 e 44, com alturas entre 1,60 metros e 1,70 m (pelo menos nos padrões brasileiros). Danuza Leão ainda comentou sobre as mulheres que realmente chamam atenção no Brasil e fazem parte dos sonhos de qualquer homem – as chamadas “boasudas” –, que não têm medidas de manequins, como Danielle Winits e Juliana Paes, por exemplo. Enfim, seus argumentos deixam claro que as “manecas”, como são conhecidas no sul do país, não são a realidade da mulher brasileira, talvez de país nenhum, e, por isso, não justifica voltar a indústria da moda somente para atender a esse estereótipo de mulher. Até mesmo porque ser manequim nem sempre faz bem à saúde. Relembremos o triste episódio ocorrido com a modelo Ana Carolina Reston. Fisicamente, ela até poderia ser um exemplo de beldade, e acho que precisamos nos esmerar em coisas – pessoas - positivas para ficarmos cada vez melhores, mas ela estava sofrendo de um mal tão sério na busca pelo corpo perfeito que não teve mais saída, mesmo com uma silhueta que mais parecia uma escultura. Temos que fazer o possível para estar bem, o que significa ter uma boa saúde e, naturalmente, uma boa aparência, agradável aos nossos e aos olhos dos outros também – quem não gosta de ser elogiado pela aparência. Mas transformar isso numa fixação é uma coisa muito séria e desnecessária, tendo em vista que o resto das pessoas, exceto as “barbies”, têm medidas muito distantes, distintas. Mulheres, relembrando as palavras de Danuza Leão, não é preciso exagerar, relaxar quanto à aparência, mas é necessário sermos conscientes de que somos o que somos – procurando melhorar sempre, claro – e que somos reais, vivemos vidas reais e temos que valorizar aquilo que temos de melhor. NATACHA WOGEL é editora do Caderno Cidades do Diário

Edição edição 16957




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